Aliança aproxima ex-juiz do bolsonarismo e pressiona grupo de Ratinho na sucessão estadual

O senador Sergio Moro (União-PR) deve se filiar ao Partido Liberal (PL) na próxima semana após acordo político com Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. A articulação, confirmada pelo ex-deputado Tony Garcia, reposiciona Moro como principal nome do bolsonarismo na disputa pelo governo do Paraná e altera o equilíbrio eleitoral no estado.
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O acordo prevê a construção de um palanque robusto para Flávio Bolsonaro no estado, enquanto Moro ganha estrutura partidária para viabilizar sua candidatura. Nos bastidores, a decisão foi influenciada pelo movimento do governador Ratinho Júnior (PSD), que avalia disputar a Presidência, abrindo espaço para uma disputa fragmentada em nível estadual.
Ruptura, reaproximação e cálculo político
A aproximação entre Moro e o bolsonarismo ocorre após um rompimento público em 2020, quando o então ministro deixou o governo de Jair Bolsonaro (PL) acusando interferência política na Polícia Federal do Brasil. À época, Moro declarou que o ex-presidente buscava proteger familiares em investigações, incluindo o caso das “rachadinhas”.
Apesar do histórico de conflito, a aliança atual evidencia um movimento pragmático. Para o grupo de Bolsonaro, Moro amplia a competitividade no Sul do país. Já para o senador, a filiação ao PL reduz o risco de isolamento político em uma eleição estadual altamente polarizada.
Disputa interna no PSD e risco de racha
No campo adversário, o grupo de Ratinho Júnior enfrenta impasses sobre a sucessão. O nome preferido do governador é Guto Silva (PSD), mas enfrenta resistência interna. Lideranças como Alexandre Cury (PSD) e Rafael Greca (PSD) articulam uma chapa alternativa, com possibilidade de migração partidária caso não haja acordo.
A indefinição pode enfraquecer o grupo governista e abrir espaço para o crescimento de Moro. Nos bastidores, aliados avaliam que uma divisão no PSD favorece diretamente o candidato apoiado pelo PL.
Tony Garcia afirmou que a falta de consenso no grupo de Ratinho pode ser decisiva: “Se não houver acordo, Moro ganha a eleição”.
Cenário aberto e possíveis pressões políticas
A movimentação também é vista como parte de uma estratégia nacional, conectando a disputa estadual à corrida presidencial. A consolidação de Moro no PL pode fortalecer o palanque de Flávio Bolsonaro no Sul, enquanto pressiona adversários a antecipar alianças.
Analistas políticos apontam que o reposicionamento pode ser usado como instrumento de pressão dentro do próprio campo conservador, especialmente diante de interesses divergentes entre lideranças regionais e nacionais. A eleição no Paraná tende a se tornar um dos principais termômetros da reorganização da direita brasileira para 2026.




