Nova fase da Operação Sem Desconto atinge parlamentar do MDB, diretor da Dataprev e associações suspeitas de desviar recursos de aposentados

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (17) a Operação Indébito, que atingiu a deputada federal Gorete Pereira [MDB-CE], submetida ao uso de tornozeleira eletrônica, no âmbito de um esquema nacional de descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que pode ter causado prejuízos bilionários a aposentados e pensionistas.
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A operação também resultou na prisão do empresário Natjo de Lima Pinheiro e da advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente de associações de aposentados, apontada como uma das operadoras do esquema. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça.
NÚCLEO POLÍTICO E OPERACIONAL SOB INVESTIGAÇÃO
De acordo com as investigações, Gorete Pereira teria ligação com a associação Aapen, presidida por Cecília Mota, utilizada para viabilizar descontos indevidos diretamente nos benefícios previdenciários. A parlamentar é suspeita de participação ativa nas fraudes e de ter recebido recursos oriundos do esquema, além de, supostamente, utilizar empresas em nome de terceiros para movimentação financeira.
Relatórios da investigação indicam que Natjo de Lima Pinheiro teria sido beneficiário de cerca de R$ 400 mil provenientes de empresas ligadas a Cecília, apontando para um fluxo financeiro estruturado entre operadores do esquema.
A Polícia Federal também cumpriu mandados contra Alan Santos, diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev, que foi afastado do cargo. Outros três servidores do INSS também foram afastados, ampliando a suspeita de infiltração do grupo em estruturas estratégicas do sistema previdenciário.
Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares no Ceará e no Distrito Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União, indicando atuação coordenada para desarticular a organização criminosa.
As investigações apontam crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, estelionato previdenciário, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. O modelo envolvia o uso de entidades associativas para legitimar cobranças mensais sem autorização dos beneficiários.
Em depoimento anterior à CPMI do INSS, Cecília Rodrigues Mota admitiu conhecer parte dos investigados, confirmou a movimentação de milhões de reais e a propriedade de empresas sob suspeita, mas negou que os valores tenham origem ilícita.
Nos bastidores, o avanço sobre uma parlamentar em exercício e operadores ligados a associações levanta pressão sobre o Congresso e amplia o potencial de desgaste político. A depender das provas reunidas, o caso pode atingir outras figuras públicas e aprofundar o embate entre governo e oposição em torno da condução das investigações.
As defesas dos citados não foram localizadas até a última atualização. As investigações seguem em curso sob supervisão do STF.




