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PF tem mais provas contra Bolsonaro: ele queria se manter no poder após derrota, revela assessor de Braga Netto

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Documentos e anotações apreendidos pela PF indicam que militares tentaram sustentar permanência de Bolsonaro mesmo após derrota em 2022

Por Sandra Venancio – Jornal Local Foto Fernando Frazão/Agencia Brasil

Mensagens, anotações e documentos obtidos pela Polícia Federal (PF) no celular do coronel da reserva do Exército Flávio Peregrino, assessor do general Walter Braga Netto, revelam que Jair Bolsonaro (PL) pretendia permanecer no cargo mesmo após perder as eleições de 2022, segundo informações do Estadão.

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Em um dos registros, Peregrino escreveu que “sempre foi a intenção dele” seguir no governo e que militares tentaram ajudá-lo a alcançar esse objetivo. O material reforça as acusações contra o ex-presidente, que serão analisadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

As anotações apontam incômodo dos militares com a estratégia de defesa de Bolsonaro, que buscava transferir a eles a responsabilidade pelas articulações golpistas. “Oportunismo e o que mostra que tudo será feito para livrar a cabeça do B [Bolsonaro]. Estão colocando o projeto político dele acima das amizades e da lealdade que um Gen H [Heleno] sempre demonstrou ao B [Bolsonaro]”, registrou Peregrino.

O coronel também afirmou que a versão de que Bolsonaro teria resistido a pressões “não correspondia aos fatos presenciados” por advogados, aliados e militares que participaram das ações de novembro e dezembro de 2022.

Segundo ele, a “posição de muitos envolvidos (indiciados) é que buscaram sempre soluções jurídicas e constitucionais (Estado de Defesa e de Sítio, GLO e artigo 142). Tudo isso para achar uma solução e ajudar o Pres. B [presidente Bolsonaro] a se manter no governo (pois SEMPRE foi a INTENÇÃO dele), em função de suspeitas de parcialidade no processo eleitoral e desconfiança nas urnas eletrônicas”.

As anotações também mostram que a defesa tentava sustentar a narrativa de que não houve golpe porque Bolsonaro teria optado por não levar adiante nenhum plano. Peregrino criticou a tentativa de distanciar o ex-presidente das ações: “Deixar colocarem a culpa nos militares que circundavam o poder no Planalto é uma falta total de gratidão do B [Bolsonaro] àqueles poucos, civis e militares, que não traíram ou abandonaram o Pres. B [Bolsonaro] após os resultados do 2º turno das eleições”.

O coronel fez ainda uma autocrítica, reconhecendo que “os militares erraram todos” por não desmobilizar acampamentos e não convencer Bolsonaro a desistir da permanência no poder.

Em mensagens enviadas a si mesmo no WhatsApp, Peregrino resumiu sua insatisfação com a tentativa de culpar os militares com as palavras “negação, embaixada, prisão…”.

Em 2 de dezembro de 2024, escreveu que as ações demonstravam “desorientação” e “falta de coerência”, acrescentando que Bolsonaro estaria “forçando” uma prisão para sustentar a narrativa de perseguição pelo STF.

Nove meses depois, no último dia 4 de agosto, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão domiciliar de Bolsonaro pelo descumprimento de medidas cautelares fixadas anteriormente.

Contexto Judicial
O material apreendido pela PF no celular de Peregrino faz parte de inquéritos que investigam a tentativa de golpe e ataques às instituições após as eleições de 2022. As revelações aumentam a pressão sobre aliados militares e civis de Bolsonaro e podem reforçar pedidos de responsabilização criminal. O STF deve avaliar nos próximos meses o andamento das investigações e a inclusão de novos acusados no processo.

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