Comandante-em-Chefe Delcy Rodríguez fixa prazo para apresentar novo sistema de defesa integrada em meio a tensões com os EUA e reorganização das forças armadas
Por Sandra Venancio – Jornal Local
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou ontem a elaboração de um plano de defesa nacional com prazo de entrega de 100 dias, em uma estratégia de reestruturação da segurança do país diante do cenário de crise e tensões com os Estados Unidos. A medida foi comunicada durante um evento em que ela foi oficialmente reconhecida como comandante-em-chefe da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), consolidando sua posição após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças norte-americanas no início de janeiro.
Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp.
Rodríguez determinou que um gabinete nacional encarregado da segurança e da defesa — incluindo militares, policiais e setores civis — formule “diretrizes claras de um novo sistema de defesa” em **perfeita união cívico-militar-policial”, com metas definidas para os próximos 100 dias. A presidenta interina convocou ministros e especialistas em tecnologia e segurança cibernética para participar do desenvolvimento do plano.

O anúncio ocorre em um contexto internacional extremamente sensível, com a presença militar dos Estados Unidos na região e o recente episódio em que Maduro e sua esposa foram capturados por uma operação militar americana no território venezuelano, intensificando a crise política e militar.
Rodríguez afirmou que o plano de defesa “será um guia fundamental para proteger a soberania da Venezuela” e citou o legado de Simón Bolívar como inspiração para a unidade nacional. Segundo a presidente interina, a Venezuela está aberta ao diálogo político, mas afirma que não aceitará novas agressões externas ou internas que ameacem a estabilidade constitucional.
A iniciativa também inclui a criação de novas estruturas governamentais para defesa cibernética e segurança nacional, com a participação de cientistas e especialistas em tecnologia. O objetivo declarado é reforçar a capacidade de resposta do país na esfera digital, além do campo militar tradicional.
A medida reforça uma sequência de ações tomadas pelas autoridades venezuelanas nos últimos meses para organizar uma defesa abrangente, que em 2025 já havia envolvido a mobilização de milícias populares e exercícios militares integrados em várias regiões do país diante de tensões com Washington.
A reação internacional e os impactos políticos internos a esse plano de defesa estão apenas começando a se delinear, em um momento em que a Venezuela enfrenta profundas incertezas sobre sua direção política e sua posição no cenário geopolítico regional.




