Protesto reúne Civil, Militar, Científica e Penal no Masp

O governador Tarcísio de Freitas virou alvo de protesto unificado das polícias Civil, Militar, Científica e Penal na terça-feira (24), no vão livre do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, em São Paulo. As entidades acusam a gestão estadual de sucateamento estrutural, desvalorização salarial e quebra de promessas feitas durante a campanha eleitoral.
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O ato reuniu representantes das quatro forças, que apontam déficit de efetivo, queda de investimento em tecnologia, sobrecarga operacional e aumento de pedidos de exoneração. Outdoors espalhados no interior, Vale do Paraíba e litoral reforçaram a ofensiva pública contra o Palácio dos Bandeirantes.
Na Polícia Civil, o Sindicato dos Delegados (Sindpesp) afirma que há defasagem de 34% no efetivo, o que representaria mais de 14 mil cargos vagos. Segundo Renato Martins, do Sindicato dos Policiais Civis de Santos e região, “mais de 1,4 mil servidores deixaram a polícia em 2025, o que compromete diretamente a qualidade das investigações”. Ele relata redução de delegacias abertas à noite e aos fins de semana na Baixada Santista.
Na Polícia Científica, o presidente do SINPCRESP, Bruno Lazzari, sustenta que o orçamento projetado para 2026 caiu drasticamente em comparação a 2022. “Estamos assistindo ao apagão da prova material e se o perito não tem ferramentas, o criminoso volta para a rua pela porta da frente”, afirmou. A entidade também denuncia vencimento de licenças de softwares para extração de dados de celulares fora da capital.
Na Polícia Militar, o tom é de ruptura política. O tenente da reserva Paulo Torres, presidente da Comissão de Estudos de Assuntos de Interesse dos Policiais Militares, declarou: “Fomos traídos. Prometeram valorização da carreira e simetria salarial, mas não cumpriram”. Ele afirma que 950 policiais pediram exoneração no último ano e critica o salário inicial da corporação. Também acusou o ex-secretário de Segurança Guilherme Derrite de adotar práticas punitivas contra críticas internas. “Eu fiquei dois dias preso por criticar a gestão”, disse.
Crise no sistema prisional
A Polícia Penal também aderiu ao protesto. Segundo o presidente do Sinppenal, Fábio Jabá, o efetivo caiu 20% enquanto o número de unidades prisionais aumentou. Ele relata frota sucateada, sobrecarga de trabalho e adoecimento mental da categoria. “O governo sucateia deliberadamente para depois vender a ideia de que a privatização é a única saída”, afirmou. De acordo com o sindicato, dois policiais penais tiraram a própria vida nos dois primeiros meses de 2026.
A insatisfação chegou à Assembleia Legislativa, onde parlamentares ligados à chamada bancada da segurança passaram a cobrar publicamente o cumprimento de promessas de campanha. O prazo legal para concessão de reajustes antes do período eleitoral também pressiona o governo.
Resposta do governo
Em nota, o Governo de São Paulo afirmou que policiais civis, militares e da Superintendência da Polícia Técnico-Científica acumularam reajuste de 45,2% entre 2022 e 2025 e receberam R$ 1,1 bilhão em bônus por produtividade. A gestão informou ainda a contratação de 15 mil novos policiais, concursos em andamento, compra de 17 mil armas, 50 mil coletes, 3,4 mil viaturas, um helicóptero e 15 mil câmeras corporais.
Sobre o orçamento da Polícia Científica, o governo declarou que a previsão para 2026 é 10% superior à de 2025. Também negou que haja computadores desatualizados nos presídios e afirmou que todas as unidades contam com escâneres corporais e equipamentos de inspeção.
O Sindpesp contesta os números e afirma que parte do percentual de reajuste inclui aumento concedido ainda na gestão anterior, de João Doria. “Para a gestão atual, sobram 25% concedidos entre 2023 e 2025”, sustenta a entidade.
Apesar da divergência sobre dados e investimentos, o protesto expôs uma fratura política relevante: corporações que majoritariamente apoiaram o governador nas eleições agora se mobilizam publicamente contra sua gestão.




