20.9 C
Campinas
quarta-feira, março 18, 2026
spot_img

STF condena deputados do PL por propina em emendas e impõe penas de prisão em regime semiaberto

Data:

Decisão unânime aponta cobrança de R$ 1,6 milhão para liberação de recursos públicos no Maranhão

O julgamento ocorreu na Primeira Turma da Corte, em Brasília, com base em denúncia da Procuradoria-Geral da República. Foto Rosinei Coutinho/STF

A Supremo Tribunal Federal condenou nesta terça-feira (17) os deputados federais Josimar Maranhãozinho [PL] e Pastor Gil [PL], além do suplente Bosco Costa, por corrupção passiva relacionada à cobrança de propina para liberação de emendas parlamentares. O julgamento ocorreu na Primeira Turma da Corte, em Brasília, com base em denúncia da Procuradoria-Geral da República.

<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp

De acordo com a acusação, entre janeiro e agosto de 2020, os parlamentares solicitaram R$ 1,6 milhão em vantagem indevida para liberar cerca de R$ 6,6 milhões em emendas destinadas ao município de São José de Ribamar. A denúncia teve como base relato do então prefeito José Eudes, que procurou autoridades e formalizou a acusação.

O relator do caso, Cristiano Zanin, afirmou que há “provas robustas” da prática de corrupção passiva. O entendimento foi acompanhado pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino, formando placar unânime de 4 a 0. Os réus foram absolvidos da acusação de organização criminosa.

As penas fixadas foram de seis anos e cinco meses de prisão para Maranhãozinho, cinco anos e seis meses para Pastor Gil e cinco anos para Bosco Costa, todas em regime semiaberto. Apesar da condenação, não haverá prisão imediata, já que ainda cabem recursos.

Impacto político e disputa por mandatos
A decisão abre uma frente de tensão entre o Judiciário e a Câmara dos Deputados. Pela Constituição, a condenação criminal pode levar à perda do mandato, mas os ministros entenderam que caberá à Câmara avaliar se o regime semiaberto é compatível com o exercício da função parlamentar. A análise só ocorrerá após o trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidade de recurso.

Nos bastidores de Brasília, a manutenção ou não dos mandatos pode se tornar instrumento de pressão política dentro do Congresso, sobretudo em um momento em que o controle sobre emendas parlamentares segue no centro das disputas entre Executivo, Legislativo e Judiciário. A decisão também reforça o cerco a práticas investigadas envolvendo a destinação de recursos públicos, tema que vem sendo alvo de fiscalização por órgãos de controle e disputas internas entre partidos.

Com a condenação, os políticos ficam inelegíveis por oito anos após o cumprimento das penas e deverão pagar solidariamente R$ 1,6 milhão por danos morais coletivos.

As defesas negaram irregularidades. O advogado de Bosco Costa afirmou que o processo deveria ter tramitado inicialmente no STF e questionou a origem dos recursos: “A certeza para o fim de imputação penal, com relação à autoria de emenda parlamentar, absolutamente não existe”.

A defesa de Josimar Maranhãozinho declarou: “É incompreensível pensar que um deputado, que não tem base eleitoral no município de São José de Ribamar, que não conhece o prefeito, encaminhe algum tipo de recurso para aquele município”.

Já o advogado de Pastor Gil alegou falhas na investigação e afirmou: “É incontroverso. Manipularam livremente os elementos digitais e corromperam a prova digital desse processo”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

Moro deve se filiar ao PL após acordo com Flávio Bolsonaro e redesenha disputa no Paraná

Aliança aproxima ex-juiz do bolsonarismo e pressiona grupo de...

PF abre inquérito nacional para investigar cartel e preços abusivos de combustíveis no Brasil

Operação envolve 19 mil postos e ocorre em meio...

Fundo ligado à Reag recebeu R$ 1 bilhão de empresas associadas ao PCC e movimentou recursos para empresa ligada a Vorcaro

Relatórios do Coaf revelam fluxo financeiro suspeito analisado pela...

PF impõe tornozeleira a deputada e prende operadores em esquema bilionário de fraudes no INSS

Nova fase da Operação Sem Desconto atinge parlamentar do...
Jornal Local
Política de Privacidade

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já está em vigor no Brasil. Além de definir regras e deveres para quem usa dados pessoais, a LGPD também provê novos direitos para você, titular de dados pessoais.

O Blog Jornalocal tem o compromisso com a transparência, a privacidade e a segurança dos dados de seus clientes durante todo o processo de interação com nosso site.

Os dados cadastrais dos clientes não são divulgados para terceiros, exceto quando necessários para o processo de entrega, para cobrança ou participação em promoções solicitadas pelos clientes. Seus dados pessoais são peça fundamental para que o pedido chegue em segurança na sua casa, de acordo com o prazo de entrega estipulado.

O Blog Jornalocal usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Confira nossa política de privacidade: https://jornalocal.com.br/termos/#privacidade