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Super-ricos entram em 2026 concentrando mais riqueza que metade da população mundial

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Relatório revela disparada histórica das fortunas e expõe impactos sociais, ambientais e políticos da desigualdade extrema

O mundo chegou a 2026 com um retrato extremo da desigualdade global. Um novo relatório da Oxfam, divulgado neste domingo, na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, aponta que os 12 bilionários mais ricos do planeta concentram hoje mais riqueza do que os 4 bilhões de pessoas mais pobres do mundo, o equivalente à metade da população global. O estudo expõe um salto sem precedentes na concentração de renda no topo da pirâmide, ao mesmo tempo em que a maioria da humanidade enfrenta estagnação econômica, insegurança alimentar e perda de direitos básicos.

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Os dados mostram que 2025 foi um ano recorde para os super-ricos. Pela primeira vez, o número de bilionários ultrapassou a marca de 3 mil pessoas no mundo, com um patrimônio total estimado em cerca de US$ 18,3 trilhões. Apenas em um ano, esse montante cresceu US$ 2,5 trilhões, valor que supera o Produto Interno Bruto de muitos países e que, segundo o levantamento, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema diversas vezes. A dimensão do crescimento chama atenção quando comparada ao Orçamento da União do Brasil para 2026, fixado em R$ 6,54 trilhões: a riqueza acumulada pelos bilionários globais aumentou, em doze meses, o dobro de todo o orçamento federal brasileiro previsto para o ano.

O relatório foi apresentado durante o Fórum Econômico Mundial, realizado entre 19 e 23 de janeiro, em Davos, na Suíça. Foto UNICEF/Prashant Vishihanatah

O avanço acelerado das grandes fortunas ocorre em sentido oposto às condições de vida da maioria da população mundial. O relatório aponta que uma em cada quatro pessoas enfrenta insegurança alimentar e que quase metade da humanidade vive abaixo da linha de pobreza ampliada adotada pelo Banco Mundial. O documento sustenta que esse cenário não é resultado de um movimento espontâneo da economia global, mas de decisões políticas e institucionais que favorecem a concentração de renda e protegem patrimônios elevados.

Além do impacto social, o estudo associa a concentração de riqueza a efeitos diretos sobre o meio ambiente. Os super-ricos concentram investimentos em setores altamente poluentes e mantêm padrões de consumo com elevada emissão de carbono. Segundo o levantamento, ainda nos primeiros dias do ano, esse grupo já teria extrapolado sua cota anual de emissões, reforçando o peso desproporcional que exerce sobre a crise climática global.

Desigualdade e escolhas políticas
O relatório destaca que a concentração extrema de riqueza fragiliza democracias ao ampliar o poder econômico e político de um grupo restrito. Em diferentes países, políticas fiscais e regulatórias tendem a preservar interesses do topo da pirâmide, enquanto investimentos em redistribuição de renda, combate à pobreza e garantia de direitos permanecem limitados. Esse desequilíbrio, segundo a análise, aprofunda desigualdades históricas e reduz a capacidade dos Estados de enfrentar crises sociais e ambientais.

Brasil lidera ranking regional de bilionários

No recorte latino-americano, o Brasil aparece como o país com o maior número de bilionários da região. São 66 pessoas que concentram juntas cerca de US$ 253 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 1,26 trilhão. Esse valor corresponde a quase 20% de todo o Orçamento da União previsto para 2026. O relatório aponta que essa concentração convive com um sistema tributário considerado regressivo, no qual a maior parte da arrecadação recai sobre o consumo e a renda do trabalho, enquanto rendimentos do capital permanecem pouco tributados.

O documento também observa que, embora mudanças recentes no Imposto de Renda tenham ampliado a isenção para rendas mais baixas, temas estruturais seguem sem enfrentamento. A ausência de tributação sobre lucros e dividendos, grandes fortunas e heranças mantém um modelo que favorece a acumulação no topo e limita a redução das desigualdades sociais.

Fórum de Davos

O relatório foi apresentado durante o Fórum Econômico Mundial, realizado entre 19 e 23 de janeiro, em Davos, na Suíça. O encontro reúne mais de 400 autoridades políticas e empresariais, incluindo cerca de 65 chefes de Estado e de governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participa do evento, e o Brasil é representado pela ministra do Planejamento, Simone Tebet. Com o tema oficial “Um espírito de diálogo”, o fórum ocorre sob críticas de que o ambiente é dominado pelos mesmos setores econômicos apontados no relatório como beneficiários diretos da concentração de riqueza e como atores centrais na resistência a reformas estruturais.

Quem são os mais ricos do mundo e do Brasil

No topo da riqueza global, o grupo dos bilionários é formado majoritariamente por empresários ligados aos setores de tecnologia, finanças, indústria e energia. Entre os nomes mais recorrentes estão Elon Musk, com fortuna associada a empresas de tecnologia e exploração espacial; Bernard Arnault, controlador de um dos maiores conglomerados de luxo do mundo; Jeff Bezos, fundador de uma das maiores plataformas de comércio eletrônico do planeta; Mark Zuckerberg, ligado ao setor de redes sociais e tecnologia; Larry Ellison, cofundador de uma gigante de softwares; Warren Buffett, investidor histórico do mercado financeiro; Bill Gates, fundador de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo; Larry Page e Sergey Brin, criadores de um dos principais mecanismos de busca da internet; e Amancio Ortega, empresário do setor de varejo de moda. Esse grupo concentra patrimônios individuais que superam, isoladamente, o orçamento anual de muitos países.

No Brasil, a concentração de riqueza também está nas mãos de poucos. Entre os mais ricos do país aparecem nomes ligados principalmente ao sistema financeiro, mineração, varejo e indústria. Destacam-se Jorge Paulo Lemann, associado a grandes grupos do setor de bebidas e investimentos; Eduardo Saverin, cofundador de uma das maiores redes sociais do mundo; André Esteves, ligado ao setor bancário e de investimentos; Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira, sócios históricos de grandes conglomerados empresariais; Vicky Safra e sua família, herdeiros de um dos maiores grupos bancários privados do país; além de empresários do varejo, da mineração e do agronegócio que figuram de forma recorrente entre as maiores fortunas nacionais.

O relatório aponta que, tanto no cenário global quanto no brasileiro, esses patrimônios cresceram de forma acelerada nos últimos anos, impulsionados por ganhos financeiros, valorização de ativos e estruturas econômicas que favorecem grandes fortunas, aprofundando a distância entre o topo da pirâmide e a maioria da população.

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