Gestos simbólicos e tensões diplomáticas marcam reunião na Casa Branca
Uma reunião reservada entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a líder da oposição venezuelana María Corina Machado ganhou repercussão internacional nesta quinta-feira, 15, depois que Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, presenteou Trump com a medalha do prêmio — gesto que o mandatário americano exibiu publicamente nas redes sociais, gerando reação oficial do instituto responsável pelo Nobel.
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O encontro aconteceu a portas fechadas na Casa Branca, sem cobertura da imprensa, e foi descrito por observadores como altamente simbólico. Machado entregou a Trump sua medalha do Nobel da Paz, que recebeu no ano passado em reconhecimento à sua luta pela democracia na Venezuela. Trump publicou posteriormente nas redes que a venezuelana lhe havia dado a medalha “pelo trabalho que tenho realizado”, agradecendo o gesto de “respeito mútuo”. Uma foto espontânea do encontro mostrou Trump e Machado na Sala Oval com a medalha emoldurada.

A Fundação Nobel e o Instituto Nobel esclarecem que, embora a medalha possa ser transferida como objeto físico, o título de laureado é pessoal e não pode ser revogado ou compartilhado. Segundo o Instituto Nobel Norueguês, o prêmio “não pode ser revogado, compartilhado ou transferido para outros” após ser anunciado, em conformidade com seus estatutos.
Antes e durante a reunião, Machado não foi recebida em cerimônia pública e o encontro não teve pronunciamentos conjuntos, apesar das expectativas de declarações sobre apoio dos EUA à oposição venezuelana ou sobre o futuro político da Venezuela. Após a reunião, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a avaliação de Trump de que Machado não tem apoio suficiente para liderar o país se baseia em análises “realistas”, reforçando que a conversa não representou um compromisso claro de apoio político à sua lideranças oposicionistas.
Ao deixar a Casa Branca, Machado disse que a reunião foi “muito boa” e que conta com Trump para “a libertação da Venezuela”, mas não detalhou pactos estratégicos ou garantias formais de ajuda à oposição.
O episódio ocorre em meio a uma conjuntura política volátil na Venezuela, após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por forças norte-americanas, e com Trump sinalizando abertura de diálogo tanto com o governo interino — liderado por Delcy Rodríguez — quanto com a oposição, em meio a interesses econômicos no setor petrolífero venezuelano que também orientam a diplomacia estadunidense na região.
Recebida pela porta dos fundos
O gesto de Machado de entregar a medalha a Trump, além de inédito, levanta debates sobre instrumentalização de símbolos internacionais e os limites do apoio externo à oposição venezuelana. A ausência de compromissos políticos explícitos, aliada à clara manifestação de Trump de que Machado não é atualmente uma liderança viável para conduzir a Venezuela, reflete uma postura pragmática dos EUA, mesclando interesses geopolíticos e econômicos, especialmente no setor de energia, com calculadas expressões diplomáticas.




