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Unicamp decide hoje futuro da saúde com proposta de autarquia que muda orçamento e estrutura para a próxima década

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Votação do Consu define se gestão do HC-Unicamp passa a ser vinculada ao Estado, com impacto de R$ 1,1 bi e expansão acadêmica

O Conselho Universitário da Unicamp vota nesta terça-feira, às 14h, o projeto que pode transformar radicalmente a estrutura administrativa da área da saúde da instituição. A proposta cria o HC-Unicamp como autarquia vinculada à Secretaria Estadual da Saúde, mantendo integração acadêmica e atendimento 100% SUS, ao mesmo tempo em que transfere gradualmente ao Estado um orçamento anual hoje estimado em R$ 1,1 bilhão.

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A votação encerra três meses de debates e coloca em pauta uma das mudanças mais profundas desde a criação da Universidade. O plano prevê que o governo estadual assuma, a partir de 2028, despesas operacionais da saúde — cerca de R$ 300 milhões ao ano — e, em 2031, inicie o ressarcimento integral da folha dos servidores, atualmente em R$ 754 milhões. O processo completo deve levar dez anos.

Docentes sustentam outra preocupação: sequer com a transferência gradual de custeio haveria segurança de que o governo manterá aportes em níveis equivalentes ao atual orçamento da saúde. Foto Thomaz Marostegan/Unicamp

O desenho final garante, segundo a administração, preservação de carreira, salários, benefícios e participação dos servidores em processos de formação. A reitoria afirma que o modelo não quebra o vínculo acadêmico da área da saúde com a Universidade e que os hospitais e ambulatórios continuarão integrados ao ensino e à pesquisa.

Com o alívio crescente no orçamento próprio, a Unicamp projeta a ampliação de vagas e cursos, além da contratação de 2 mil profissionais — sendo 614 docentes e 1.390 servidores técnico-administrativos — e a chegada de 11,5 mil novos estudantes nos próximos anos. Também estão previstos investimentos em prédios, laboratórios e salas de aula, parte deles represados pela pressão histórica do custeio da saúde.

Bastidores da disputa e contradições internas
A sessão desta terça-feira promete ser tensa. Representantes de servidores pediram retirada de pauta alegando que o prazo de discussão foi insuficiente e que a autarquização pode precarizar vínculos de trabalho. Docentes sustentam outra preocupação: sequer com a transferência gradual de custeio haveria segurança de que o governo manterá aportes em níveis equivalentes ao atual orçamento da saúde.

Nos bastidores, conselheiros relatam dois movimentos paralelos: enquanto diretores de unidades defendem que o projeto é uma saída estrutural para a expansão acadêmica, grupos de servidores questionam se o Estado assumirá, de fato, o compromisso até 2031 diante de mudanças de governo. Há quem cobre garantias formais adicionais no texto — tema que pode emergir já na votação.

O que não está sendo dito no debate oficial
Modelos adotados por USP e Unesp são citados pela reitoria como bem-sucedidos, mas perfis anônimos de docentes têm apontado diferenças estruturais: ambas as universidades passaram por fases de expansão orçamentária estadual no momento da implantação de suas autarquias na saúde, o que não ocorre hoje. Outro ponto pouco discutido é o risco jurídico de judicialização por parte de servidores que temem mudanças indiretas em atribuições, apesar da manutenção formal de vínculos.

Há ainda apreensão sobre o impacto político: caso aprovado, o novo HC-Unicamp ganha personalidade jurídica própria, com orçamento e governança vinculados ao Estado, o que abre espaço para disputas regionais e pressão de prefeitos e parlamentares sobre prioridades assistenciais. Conselheiros ligados à área médica temem que alterações no fluxo de decisão criem conflitos entre metas de gestão estadual e as necessidades da formação acadêmica.

Narrativa pública
A reitoria intensificou nas últimas semanas reuniões com representações acadêmicas para neutralizar resistência e evitar que críticas internas ganhem força fora da Universidade. Em grupos de WhatsApp de servidores, circulam relatos de preocupação com possíveis ajustes no quadro funcional após a transição de 2031, enquanto setores estudantis denunciam que o debate permanece técnico demais, sem detalhar impactos no cotidiano dos cursos. A direção afirma que o processo não altera regras de estágios, internatos e práticas assistenciais.

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