Libertação ocorre após captura de Maduro e amplia disputa política e diplomática na região
O governo venezuelano anunciou nesta quinta-feira a libertação de um número não especificado de venezuelanos e estrangeiros que estavam detidos no país, em uma decisão classificada como unilateral e apresentada como gesto de busca pela paz interna. O anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, em meio a um cenário de forte tensão institucional, agravado pela captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no último fim de semana.
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Segundo Jorge Rodríguez, a medida foi tomada em conjunto com instituições do Estado e já está em execução. O dirigente afirmou que a iniciativa tem como objetivo fortalecer a convivência nacional e contribuir para a união do país diante do que classificou como agressões externas recentes. O discurso oficial associa a libertação à tentativa de reduzir tensões internas e reorganizar o ambiente político em um momento de instabilidade inédita no comando do Estado venezuelano.

A decisão ocorre poucos dias após Delcy Rodríguez assumir interinamente a Presidência da República. Em reuniões internas com ministérios e setores estratégicos do governo, Delcy definiu como prioridade a preservação da paz territorial, a manutenção da ordem institucional e o resgate de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, detidos em operação conduzida pelos Estados Unidos. A narrativa do governo sustenta que a captura representa uma violação da soberania venezuelana e um ataque direto ao projeto político iniciado por Hugo Chávez.
Apesar do gesto anunciado, Jorge Rodríguez deixou claro que o governo não mantém diálogo com setores classificados como extremistas ou que, segundo ele, negam a política institucional. As conversas seguem restritas a partidos, organizações e instituições que reconhecem a Constituição vigente. A sinalização indica que a abertura promovida pela soltura de presos não significa uma negociação ampla com a oposição mais radical, mas sim um movimento controlado para reorganizar o campo político interno.
Nos bastidores, a libertação levanta questionamentos sobre o perfil dos beneficiados, os critérios adotados e o impacto real da medida sobre a crise política. Parte dos detidos no país responde por acusações ligadas a protestos, conspiração, crimes políticos e violações à ordem pública, o que torna a decisão sensível tanto internamente quanto no cenário internacional. A ausência de números oficiais e de detalhes sobre os processos reforça o clima de incerteza.
A iniciativa também é interpretada como uma tentativa do governo interino de sinalizar estabilidade institucional diante da pressão externa crescente. Desde a captura de Maduro, países da América Latina passaram a se articular diplomaticamente contra o que classificam como precedente perigoso para a segurança regional e a ordem internacional. O Brasil, ao lado de México, Chile, Uruguai, Colômbia e Espanha, já se manifestou publicamente contra ações unilaterais que afetem a soberania venezuelana.
A libertação de presos ocorre em um momento crítico para o regime venezuelano, que enfrenta vácuo de poder, pressão internacional e risco de fraturas internas. O gesto, apresentado como busca pela paz, também funciona como instrumento político para reorganizar alianças, reduzir desgaste externo e reforçar a narrativa de resistência diante da ofensiva dos Estados Unidos. O alcance real da medida e seus efeitos sobre a crise permanecem em aberto.




