O vereador Carlão do PT protocolou Requerimento de Informações sobre os ossos encontrados nas escavações da avenida Francisco Glicério nos últimos dias, bem como Indicação ao prefeito Jonas Donizette para que as obras de revitalização do Centro sejam acompanhadas por um geólogo. O objetivo é garantir a identificação, pesquisa e preservação dessas ossadas e da história que elas possivelmente representam, já que há forte suspeita de que sejam de negros escravizados.
No local onde foram encontradas as ossadas ficava a antiga Igreja do Rosário, demolida em 1956 para viabilizar o alargamento da avenida. Notícias veiculadas pela Imprensa nos últimos dias resgatam parte da história da Igreja do Rosário, conhecida como “o lugar dos negros”. Foi construída em taipa de pilão e inaugurada em 1817 para sediar a 2ª Irmandade de Homens Pretos, dissidentes da Irmandade de São Benedito.
“Na construção da Catedral Metropolitana, ocorreram acidentes que resultaram na morte de muitos escravizados. Em um destes acidentes, com a queda de uma parede de taipa de pilão, morreram muitos deles. Isto resultou que, além do Cemitério dos Cativos, vários escravizados acabaram por serem sepultados ao longo da Avenida Francisco Glicério”, considera o autor no texto da Indicação.
“Neste sentido, avaliamos que será necessário acompanhamento de geólogo, para que seja feita pesquisa especializada das ossadas encontradas e que seja de conhecimento público a quantidade e o sexo dos escravizados encontrados e também dos não escravizados.”, justifica o vereador.
Ruas de Histórias Negras
O vereador tem entre as principais linhas de atuação do seu mandato a promoção da igualdade racial. No início do ano, ele elaborou o Projeto ‘Ruas de Histórias Negras’, levado ao Executivo por meio de Indicação, para que ruas, avenidas e praças de Campinas com nomes de personalidades e histórias negras sejam identificadas com informações sobre essas histórias.
O objetivo é dar mais visibilidade e contribuir para o reconhecimento sobre a importância da participação dos negros no desenvolvimento da cidade e do país. O ‘Ruas de Histórias Negras’ aponta inicialmente treze locais para sua aplicação, entre os quais está a Avenida Francisco Glicério, já que o general que dá nome à avenida era neto de escravos.





