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sábado, fevereiro 7, 2026
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Megaoperação expõe esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis e a Faria Lima em São Paulo

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Força-tarefa de 1.400 agentes do MP-SP, MPF e Polícias Federal, Civil e Militar cumpre mandados em oito estados contra rede ligada ao PCC que adulterava combustíveis e lavava dinheiro. Alvos usavam fundos de investimento na Faria Lima para ocultar patrimônio


Sandra Venancio – Foto Divulgação Polícia Federal

Uma força-tarefa com cerca de 1.400 agentes cumpriu, na manhã desta quinta-feira (28), mandados de busca, apreensão e prisão em oito estados para desarticular um esquema criminoso bilionário no setor de combustíveis, comandado por integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação, que reuniu três investigações em andamento, ocorreu em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

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De acordo com a Secretaria da Fazenda de São Paulo, o grupo criminoso sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais. As fraudes foram identificadas em diferentes etapas do processo de produção e distribuição de combustíveis, afetando consumidores e toda a cadeia econômica do setor.

https://twitter.com/folha/status/1961014031428247627

A Receita Federal apontou que ao menos 40 fundos de investimento, com patrimônio de R$ 30 bilhões, estavam sob controle da facção. As operações eram conduzidas no mercado financeiro da Avenida Faria Lima, em São Paulo, com a participação de membros infiltrados para dar aparência de legalidade às movimentações.

Mais de 350 pessoas físicas e jurídicas são investigadas por crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.

Entre os principais alvos estão:

  • Grupo Aster/Copape, responsável por usinas, distribuidoras e rede de postos usados pela facção;
  • BK Bank, fintech utilizada para movimentar recursos em contas bolsão não rastreáveis;
  • Reag, fundo de investimento destinado à compra de empresas e blindagem patrimonial.

Como funcionava o esquema

Segundo os investigadores, o PCC estruturou um modelo de negócios criminoso em múltiplas frentes. O processo incluía adulteração de combustíveis, emissão de notas fiscais frias, criação de empresas de fachada e sonegação de tributos em larga escala.

Os lucros ilícitos eram canalizados para bancos digitais e fundos de investimento, usados como ferramentas de ocultação patrimonial. A infiltração no coração do mercado financeiro brasileiro, na Faria Lima, deu ao grupo acesso a operações sofisticadas de blindagem e possibilitou que o capital ilícito circulasse como se fosse legítimo.

De acordo com os investigadores, o PCC estruturou um complexo modelo de negócios ilícitos para dominar parte do setor de combustíveis no país. O esquema funcionava em várias camadas: adulteração de combustíveis nas usinas e distribuidoras, uso de empresas de fachada para emissão de notas frias, sonegação de tributos em larga escala e movimentação de recursos por meio de bancos digitais e fundos de investimento.

A combinação de atividades permitiu que a facção expandisse seu poder econômico para além do tráfico de drogas, criando uma rede empresarial que se confundia com o mercado formal. O uso da Faria Lima, centro do mercado financeiro, deu ao grupo acesso a ferramentas sofisticadas de blindagem patrimonial e a possibilidade de infiltrar capital ilícito em negócios legítimos.

Funcionamento do esquema

De acordo com as investigações, um dos principais eixos da fraude investigada passa pela importação irregular de metanol. O produto, que chega ao país pelo Porto de Paranaguá (PR), não é entregue aos destinatários indicados nas notas fiscais.

Em vez disso, é desviado e transportado clandestinamente, com documentação fraudulenta e em desacordo com normas de segurança, colocando em risco motoristas, pedestres e o meio ambiente.

O metanol, altamente inflamável e tóxico, é direcionado a postos e distribuidoras, nos quais é utilizado para adulterar combustíveis, gerando lucros bilionários à organização criminosa.

Os investigadores identificaram mais de 300 postos de combustíveis do país que atuam nessas fraudes.

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