Influenciadores relatam ofertas para defender banco liquidado e questionar decisão do regulador
A Polícia Federal decidiu abrir inquérito para apurar denúncias de que influenciadores digitais teriam sido pagos para atacar o Banco Central e defender o Banco Master, liquidado no fim do ano passado por decisão da autoridade monetária. A apuração busca esclarecer se houve contratação coordenada para difundir conteúdos com o objetivo de deslegitimar a atuação do BC e pressionar o ambiente institucional após a intervenção na instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.
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O caso veio à tona após influenciadores alinhados à direita relatarem abordagens para produzir vídeos e postagens sustentando a tese de que o Banco Central teria agido de forma precipitada ao decretar a liquidação do Master. A estratégia descrita incluía a disseminação de narrativas que colocassem em dúvida critérios técnicos do regulador e reforçassem argumentos jurídicos favoráveis ao banco.

Levantamentos preliminares identificaram que, no mesmo período, perfis com grande alcance passaram a publicar conteúdos semelhantes, com ataques diretos ao Banco Central e à Federação Brasileira de Bancos, repetindo argumentos e enquadramentos quase idênticos. Juntos, esses influenciadores somam dezenas de milhões de seguidores, o que levantou suspeitas de atuação organizada e eventual financiamento oculto das campanhas digitais.
A defesa do Banco Master afirmou não ter conhecimento sobre a suposta contratação de influenciadores para difamar o Banco Central. Ainda assim, a PF pretende apurar se houve pagamentos diretos ou indiretos, uso de intermediários, agências de marketing político ou estruturas paralelas para viabilizar a ofensiva nas redes sociais.
Paralelamente, seguem as investigações sobre fraudes atribuídas ao Banco Master. A Polícia Federal avalia já ter indícios concretos de irregularidades bancárias e pretende colher novos depoimentos de diretores do banco liquidado e de executivos do BRB ainda neste mês. As oitivas ocorrerão após a acareação realizada no Supremo Tribunal Federal entre Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB, episódio que gerou críticas por ter ocorrido antes da conclusão das diligências policiais.
Os investigadores também analisam o material apreendido na operação Compliance Zero, deflagrada em novembro, quando celulares, computadores e documentos foram recolhidos. O conteúdo está sendo periciado para identificar fluxos financeiros, eventuais crimes contra o sistema financeiro nacional e possíveis conexões entre a fraude bancária e a campanha digital contra o Banco Central.
Liquidação Banco Master
A liquidação do Banco Master abriu uma frente de tensão entre o sistema financeiro, o regulador e interesses privados atingidos pela intervenção. A suspeita de uso de influenciadores pagos para pressionar o Banco Central insere o caso em um contexto mais amplo de manipulação de opinião pública, com possíveis conexões entre dinheiro, estratégias digitais e disputas institucionais. A PF apura se a ofensiva nas redes foi parte de uma tentativa de constranger autoridades, influenciar decisões judiciais e criar ambiente político favorável aos responsáveis pela instituição liquidada.




