Empresário não é localizado no Rio, entra na mira da Interpol e pode ser alvo de extradição
A Justiça do Rio de Janeiro passou a trabalhar com a hipótese de que João Ricardo Mendes, fundador e ex-CEO da extinta agência de viagens Hurb, já tenha deixado o Brasil. A avaliação consta de decisão do juiz André Felipe Veras de Oliveira, que determinou a inclusão do nome do empresário na difusão vermelha da Interpol após sucessivas tentativas frustradas de localizá-lo em seu endereço na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense.
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Na manhã desta terça-feira (13), uma oficial de Justiça voltou ao imóvel onde Mendes reside, no condomínio de luxo Santa Helena, e encontrou a casa fechada, sem qualquer movimentação desde o dia 8 de janeiro. Funcionários e seguranças do local relataram que o morador não é visto há dias e que não há informações sobre seu paradeiro. Diante do cenário, o magistrado considerou que o empresário se encontra em “local incerto e não sabido”.

Na decisão, o juiz detalha o padrão de vida de Mendes para sustentar o risco de fuga. Destacou que ele possui elevada capacidade financeira, moradia em área nobre, motocicleta importada de alto valor e histórico recente de viagens a destinos turísticos caros em plena alta temporada. O magistrado também relembrou um episódio anterior, quando o empresário foi localizado no Ceará se preparando para embarcar com nome falso para São Paulo, sem confirmação de que retornaria ao Rio de Janeiro.
Com base nesses elementos, a Justiça concluiu que Mendes reúne condições materiais para permanecer fora do país e não descartou que a saída já tenha ocorrido. O juiz afirmou que não seria “inimaginável” uma fuga internacional, reforçando a necessidade de medidas mais duras para garantir a aplicação da lei penal.
Atendendo a pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro, a Justiça determinou a inclusão do nome de João Ricardo Mendes na difusão vermelha da Interpol, mecanismo que autoriza a detenção imediata do procurado caso ele seja localizado em qualquer um dos 196 países membros da organização. O magistrado também informou que o passaporte do empresário já está retido e proibiu a emissão de novos documentos de viagem. Caso ele seja encontrado fora do Brasil, o juízo antecipou que fará o pedido formal de extradição.
Apesar da decisão, o nome de Mendes ainda não consta publicamente na lista de alertas vermelhos da Interpol, o que indica que os trâmites burocráticos para a efetivação do pedido internacional ainda estão em curso. A nova diligência realizada nesta terça-feira também não resultou em qualquer contato com o empresário.
João Ricardo Mendes é réu em ação penal no Rio de Janeiro por crime de estelionato, ao lado de outros fundadores da Hurb. A antiga agência de viagens entrou em colapso após uma série de cancelamentos, denúncias de clientes lesados e investigações sobre a comercialização de pacotes que não teriam lastro financeiro. O caso envolve milhares de consumidores e valores milionários, tornando-se um dos maiores escândalos recentes do setor de turismo no país.
A Justiça considera que João Ricardo Mendes tem alto poder financeiro e histórico de tentativas de deslocamento irregular. Com mandado de prisão pendente e suspeita de fuga internacional, o empresário passa a ser procurado fora do Brasil, e o juízo já sinalizou que pedirá extradição caso ele seja localizado no exterior.




