Nevasca avança pelo Leste, força decretos de emergência em 17 estados e expõe fragilidade da infraestrutura energética
Mais de 670 mil pessoas ficaram sem eletricidade e quase 10 mil voos foram cancelados neste domingo (25) nos Estados Unidos, às vésperas da chegada de uma tempestade de inverno considerada histórica pelas autoridades. O sistema climático extremo ameaça paralisar grande parte dos estados do Leste com neve intensa, chuva congelante, granizo e temperaturas perigosamente baixas ao longo da semana.
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A previsão indica que dois terços da porção leste do país serão atingidos por uma combinação severa de fenômenos climáticos, com impacto direto sobre o transporte aéreo, o fornecimento de energia e a mobilidade urbana. Diante do cenário, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou no sábado a decretação de desastre emergencial federal em uma extensa lista de estados, entre eles Carolina do Sul, Virgínia, Tennessee, Geórgia, Carolina do Norte, Maryland, Arkansas, Kentucky, Louisiana, Mississippi, Indiana e Virgínia Ocidental.

Os números de interrupção no fornecimento de energia continuaram a subir ao longo do domingo. Estados como Mississippi, Texas, Tennessee e Louisiana concentraram mais de 100 mil residências e estabelecimentos sem luz, enquanto Kentucky, Geórgia, Virgínia e Novo México também registraram falhas significativas. O avanço da frente fria, associado ao acúmulo de gelo pesado sobre redes elétricas, elevou o risco de danos estruturais e quedas prolongadas de energia.
O Serviço Nacional de Meteorologia classificou o fenômeno como uma tempestade de inverno excepcionalmente ampla e duradoura, com potencial de causar impactos “incapacitantes a catastróficos” em áreas do Sudeste. Além disso, massas de ar polar devem empurrar temperaturas recordes para baixo nas Grandes Planícies até pelo menos segunda-feira, acompanhadas de ventos cortantes que ampliam o risco à saúde.
A aviação civil foi um dos setores mais afetados. Somente neste domingo, mais de 9.990 voos foram cancelados em todo o país, somando-se aos mais de 4 mil cancelamentos registrados no sábado. Companhias aéreas alertaram passageiros sobre mudanças repentinas na malha aérea, atrasos e cancelamentos em cascata, sobretudo nos grandes hubs do Leste e do Meio-Oeste.
Nos bastidores do setor elétrico, operadores da rede nacional intensificaram protocolos de emergência para evitar apagões rotativos, diante do aumento simultâneo da demanda por aquecimento e das limitações na capacidade de distribuição. O episódio reacende o debate sobre a vulnerabilidade da infraestrutura energética dos Estados Unidos frente a eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes e intensos, e sobre a capacidade de resposta coordenada entre governos estaduais e o governo federal.
Energia, clima extremo e risco sistêmico
A sucessão de tempestades severas nos últimos invernos tem exposto fragilidades estruturais na rede elétrica norte-americana, especialmente em estados do Sul e Sudeste, onde sistemas não foram projetados para suportar longos períodos de gelo. O atual episódio, com centenas de milhares de clientes sem luz e impacto direto na economia e na mobilidade, reforça questionamentos sobre investimentos em resiliência climática, planejamento energético e prevenção de colapsos em larga escala.




