Presidente da Corte afirma que não ficará inerte diante de questionamentos e reforça rito interno para análise de suspeições
Por Sandra Venancio – Jornal Local
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou que não permanecerá de “braços cruzados” caso seja necessário avaliar questionamentos envolvendo a investigação do Banco Master, atualmente sob relatoria do ministro Dias Toffoli. A declaração indica que a Presidência da Corte poderá atuar institucionalmente se o tema for formalizado e levado à apreciação do tribunal.
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Ao comentar a permanência de Toffoli à frente do processo, Fachin evitou antecipar qualquer juízo sobre situações específicas, mas deixou claro que, se houver provocação formal, o assunto será enfrentado dentro das regras regimentais. Segundo ele, o Supremo dispõe de mecanismos próprios para analisar eventuais alegações de irregularidade, impedimento ou suspeição, desde que apresentadas pelos interessados.

Nos bastidores do Judiciário, a relatoria do caso Banco Master passou a ser alvo de questionamentos públicos após virem à tona relações empresariais envolvendo familiares do ministro Dias Toffoli e pessoas ligadas ao controlador da instituição financeira investigada. Parte dessas informações diz respeito a negócios privados ocorridos fora do exercício da jurisdição, o que, segundo Fachin, exige cautela para não confundir atos pessoais com a atuação judicial propriamente dita.
Ainda assim, o presidente do STF ressaltou que o tribunal não está imune ao escrutínio público e que críticas fazem parte do funcionamento democrático das instituições. Ele afirmou que nenhuma autoridade, incluindo ministros da Corte, está acima da fiscalização da sociedade, desde que o debate siga os canais legais e institucionais.
Fachin também comentou a nota institucional divulgada recentemente pela Presidência do STF em defesa da atuação do tribunal e do relator durante o recesso. Segundo ele, a manifestação teve como objetivo preservar a institucionalidade da Corte, destacando que a relatoria do caso decorreu de sorteio e que a continuidade do trabalho jurisdicional durante o recesso está prevista nas normas internas.
O ministro enfatizou ainda a autonomia técnica dos órgãos de controle e investigação envolvidos no caso, como autoridades financeiras, policiais e ministeriais, indicando que a apuração não se limita ao âmbito do Supremo. Para ele, o papel do STF é garantir o devido processo legal quando provocado, sem interferir indevidamente nas atribuições de outras instituições.
Quanto ao caminho para eventuais contestações, Fachin explicou que qualquer alegação de vício ou irregularidade deve ser submetida ao colegiado competente, conforme o regimento interno. Havendo recurso ou pedido formal, o relator apresenta suas razões e o órgão colegiado decide. No caso do Banco Master, a análise caberia à Segunda Turma do STF, da qual o próprio ministro Dias Toffoli faz parte.
Retranca – Caso Banco Master no centro do STF
A investigação envolvendo o Banco Master ganhou relevância nacional por apurar possíveis irregularidades financeiras com impactos institucionais e políticos. A condução do processo no Supremo, a escolha da relatoria e as conexões empresariais reveladas em torno dos investigados ampliaram a pressão pública sobre o tribunal, colocando em foco os limites entre a atuação jurisdicional, a transparência institucional e a confiança nas decisões da Corte.




