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sexta-feira, junho 19, 2026
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Lula cobra apuração total do Banco Master e rejeita qualquer interferência política no caso

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Planalto sustenta atuação técnica do Banco Central e da PF e cobra responsabilização após liquidação bilionária

Por Sandra Venancio – Jornal Local

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido de forma reiterada a apuração integral do caso Banco Master e manifestado apoio explícito às ações do Banco Central e da Polícia Federal. No Palácio do Planalto, a orientação é de que a investigação avance sem interferência política, com rigor técnico e autonomia institucional, até o completo esclarecimento dos fatos e eventual responsabilização de envolvidos.

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A posição do presidente ganhou relevo após a divulgação de informações sobre um encontro ocorrido em dezembro de 2024 entre Lula e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em um momento anterior à crise pública da instituição. À época, não havia investigação em curso nem debate público sobre a situação do banco. Vorcaro esteve no Planalto acompanhado do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e do então executivo do Master, Augusto Lima, após reunião com integrantes do gabinete presidencial.

No encontro, com Vorcaro, o empresário relatou suposta perseguição de grandes bancos interessados em enfraquecer sua instituição. Foto Agencia Brasil

Durante a agenda, Vorcaro solicitou audiência direta com Lula e foi recebido no Palácio. O presidente chamou para a conversa ministros de áreas estratégicas e o então presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. No encontro, o empresário relatou suposta perseguição de grandes bancos interessados em enfraquecer sua instituição. A resposta de Lula foi imediata no sentido de que qualquer questionamento deveria ser tratado exclusivamente no âmbito do Banco Central, com apuração técnica e isenta, sem ingerência do governo. Galípolo reforçou o mesmo entendimento.

Onze meses depois, em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, detonando um escândalo de grandes proporções e ampliando a pressão política e institucional sobre o caso. A partir daí, passaram a circular nas redes sociais narrativas que sugeriam uma suposta tentativa de blindagem política envolvendo autoridades e instituições, o que acendeu um alerta no Planalto.

Diante do ambiente de desconfiança, Lula promoveu um encontro reservado com o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, relator do caso no STF, e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O presidente manifestou preocupação com o desgaste público das instituições e afirmou que o país não suportaria mais um episódio que ampliasse a desconfiança da sociedade sobre o Supremo, o Banco Central e a Polícia Federal.

Segundo relatos de interlocutores, Lula também demonstrou incômodo com ataques dirigidos a ministros do STF e a dirigentes de órgãos de controle, em um contexto de forte tensão política após a condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente ainda saiu em defesa do comando do Banco Central, que passou a ser alvo de campanhas digitais após a liquidação do banco.

Na última sexta-feira (23), Lula endureceu o discurso ao tratar do caso em público, associando o escândalo ao sentimento de desigualdade social. Ele afirmou que não é aceitável que a população mais pobre continue arcando com sacrifícios enquanto irregularidades bilionárias envolvendo o sistema financeiro ficam sem resposta do Estado.

Nos bastidores, auxiliares relataram que, dias após o encontro na Granja do Torto, houve um aumento de atritos institucionais envolvendo a condução da investigação, o que ampliou o desconforto do presidente. Procurado, o ministro Dias Toffoli não comentou o assunto.

Banco Master sob pressão institucional
A liquidação do Banco Master colocou em choque o sistema financeiro, o STF e órgãos de controle, abrindo um debate nacional sobre responsabilização, independência das instituições e transparência. O Planalto busca afastar narrativas de interferência política e sustenta que a resposta do Estado deve ser técnica, completa e sem proteção a agentes econômicos ou políticos, para preservar a confiança pública e evitar a consolidação de percepções de impunidade.

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