Movimento noturno consolida bloco com Leite e Ratinho e afasta partido de Kassab da candidatura de Flávio Bolsonaro
Por Sandra Venancio – Jornal Local
Em um movimento articulado nos bastidores e anunciado na noite desta terça-feira (27), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, deixou o União Brasil e se filiou ao PSD, passando a integrar formalmente o grupo de pré-candidatos à Presidência da República reunido pelo partido comandado por Gilberto Kassab. A mudança redesenha o tabuleiro da direita e do centro-direita para 2026 e sinaliza um afastamento explícito do campo bolsonarista.
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A filiação foi divulgada após as 22h, em ação coordenada nas redes sociais. Kassab anunciou publicamente que Caiado passa a atuar ao lado dos governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Junior, do Paraná, ambos já filiados ao PSD, na construção de uma candidatura presidencial alternativa. Pouco antes, Caiado apareceu em vídeo com os dois governadores afirmando que o gesto não estaria vinculado a projetos individuais, mas à formação de um projeto nacional comum.

A entrada de Caiado no PSD encerra semanas de tensão dentro do União Brasil. Mesmo mantendo sua pré-candidatura após o anúncio de Flávio Bolsonaro como nome do PL para enfrentar o presidente Lula, Caiado enfrentava resistência interna. O presidente do União, Antônio Rueda, vinha negociando com o Progressistas, partido federado à sigla, uma possível adesão ao projeto bolsonarista, cenário que isolava o governador goiano.
Diante da indefinição, Caiado passou a dialogar com outras legendas e chegou a ser sondado para disputar a Presidência por um partido de menor porte. A filiação ao PSD, no entanto, ofereceu estrutura, tempo de televisão e um arranjo político mais amplo, além de alinhar o governador a outros chefes de Executivo estaduais com projeção nacional.
O movimento também explicita a estratégia de Kassab de concentrar no PSD uma alternativa presidencial fora do eixo Lula-Bolsonaro. O partido, que já abriga governadores de grandes estados, se afasta de vez da candidatura de Flávio Bolsonaro, lançada com apoio direto do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso, e passa a investir em um discurso de “projeto de país” com viés mais institucional.
A reconfiguração atinge diretamente o campo bolsonarista. Com a direita fragmentada e a pré-candidatura de Flávio enfrentando resistências fora do PL, a expectativa é de que o senador antecipe sua agenda internacional e retorne ao Brasil nos próximos dias para tentar reorganizar alianças e conter a perda de espaço político.
A filiação de Caiado ao PSD consolida, assim, um novo eixo de disputa para 2026, com impacto direto nas negociações partidárias, na formação de palanques estaduais e na correlação de forças dentro do Congresso nos próximos meses.




