ocumentos indicam que problemas financeiros eram monitorados pelo Banco Central ainda em 2024
Por Sandra Venancio – Jornal Local
O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tinha conhecimento dos graves problemas financeiros enfrentados pelo Banco Master enquanto comandava a autoridade monetária, mas optou por não intervir de forma direta na instituição. A estratégia adotada foi apostar em uma solução de mercado, baseada na separação de ativos considerados saudáveis daqueles classificados como problemáticos, mesmo diante de sinais persistentes de fragilidade estrutural.
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Ao longo de 2024, o Banco Master já apresentava um quadro de baixa liquidez, inconsistências contábeis e falhas relevantes na gestão de riscos. Esses problemas não passaram despercebidos pelo Banco Central, que intensificou a supervisão sobre a instituição e acompanhou de perto sua situação financeira. Ainda assim, a opção da cúpula da autoridade monetária foi evitar medidas mais drásticas naquele momento.

Internamente, a avaliação era de que uma saída negociada, conduzida pelo próprio mercado financeiro, poderia reduzir os impactos sistêmicos de uma eventual quebra. Nesse contexto, Campos Neto teria atuado em pelo menos duas ocasiões para impedir a liquidação imediata do banco, mesmo com o agravamento dos indicadores e a incapacidade da instituição de reverter o cenário adverso.
A deterioração do Banco Master, no entanto, avançou ao longo de 2025, sem que as soluções articuladas fossem suficientes para estabilizar a operação. A liquidação acabou sendo decretada apenas em novembro daquele ano, já sob a presidência de Gabriel Galípolo no Banco Central.
O desfecho reacendeu questionamentos sobre o momento e a intensidade da atuação da autoridade monetária durante a gestão Campos Neto. A condução do caso passou a ser analisada sob a ótica de até que ponto a aposta em uma solução de mercado foi adequada diante de alertas recorrentes e da persistência de problemas que, ao final, culminaram na intervenção formal no sistema financeiro.




