Diretório estadual pode sofrer intervenção caso governador Jorginho Mello não aceite decisão do ex-presidente
Por Sandra Venancio – Jornal Local
O Partido Liberal (PL) vive uma crise interna em Santa Catarina após o ex-presidente Jair Bolsonaro determinar que o diretório estadual será alvo de intervenção caso Carlos Bolsonaro não seja lançado candidato ao Senado pelo partido em 2026. O aviso foi repassado ao governador Jorginho Mello, principal liderança do PL no estado, e tratado pela cúpula nacional da sigla como uma ordem a ser cumprida.
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A decisão partiu diretamente de Jair Bolsonaro, que reivindica para si o poder de definir os nomes que disputarão as principais vagas majoritárias pelo PL. A eventual intervenção caberia formalmente ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, aliado histórico de Jorginho e também do bolsonarismo, o que torna o movimento politicamente sensível dentro da legenda.

Resistência interna e risco eleitoral
Apesar da pressão, a executiva nacional do PL trabalha para evitar a intervenção, avaliando que a medida pode gerar desgaste político no estado. Dirigentes do partido demonstram preocupação com a reação do eleitorado catarinense, majoritariamente conservador, mas que não recebeu bem a possibilidade de Carlos Bolsonaro disputar uma vaga pelo estado. A leitura interna é de que uma imposição vinda de Brasília pode ser interpretada como desrespeito à vontade local e provocar perda de apoio entre empresários, setores do agronegócio e entidades patronais, bases importantes do partido em Santa Catarina.
Enquanto o impasse não se resolve, Jorginho Mello segue articulando sua estratégia eleitoral. Na composição de sua chapa à reeleição ao governo do estado, o governador escolheu como vice um nome do Partido Novo, o prefeito de Joinville, Adriano Silva, que anteriormente havia se posicionado contra a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado, mas foi pressionado a recuar publicamente. Joinville é o maior colégio eleitoral do estado e peça-chave no tabuleiro político catarinense.
Carlos Bolsonaro afirmou que pretende se reunir com Jorginho ainda nesta semana para tratar do tema. Paralelamente, a deputada federal Carol de Toni, também cotada para a disputa ao Senado pelo PL, mantém agenda de conversas com o governador. Carol lidera pesquisas internas e externas e tem forte identificação com o eleitorado local. Nos bastidores, ela já sinalizou que pode trocar de partido caso seja preterida, o que representaria uma perda estratégica para o PL, especialmente diante do plano da sigla de fortalecer sua bancada no Senado a partir de 2027.
A movimentação atinge diretamente o senador Esperidião Amin (PP), que busca a reeleição. Amin ficou isolado nas articulações após divergências com Jorginho no final do ano passado. O senador acreditava ter um acordo político para permanecer na chapa, mas percebeu sinais de que seria descartado em favor de Carol de Toni, o que agravou o racha entre as lideranças.
O conflito expõe uma disputa de poder dentro do PL entre a estratégia nacional comandada por Jair Bolsonaro e as articulações regionais conduzidas por Jorginho Mello. A indefinição sobre a candidatura ao Senado em Santa Catarina pode redesenhar alianças, provocar migrações partidárias e influenciar diretamente o desempenho do partido em um dos estados mais alinhados à direita no país.




