Shows no Allianz reúnem fãs antigos e jovens que nem eram nascidos no auge da banda
O My Chemical Romance se apresenta nesta quinta e sexta-feira, dias 5 e 6, em São Paulo, marcando a primeira passagem da banda pelo Brasil em 18 anos. Os shows acontecem no Allianz Parque e celebram o álbum “The Black Parade”, lançado em 2006, disco que consolidou o grupo como um dos maiores nomes do rock dos anos 2000 e que, curiosamente, segue mobilizando uma nova geração de fãs.
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Embora o auge comercial da banda tenha ocorrido há cerca de duas décadas, o público esperado nos shows não se limita aos fãs que viveram aquele período. Parte significativa da plateia é formada por jovens que descobriram o grupo anos depois, em um movimento que mistura herança familiar, redes sociais e identificação emocional. Muitos conheceram o My Chemical Romance por meio de pais e irmãos mais velhos, enquanto outros chegaram à banda a partir de vídeos, trilhas sonoras e tendências disseminadas em plataformas como o TikTok.




A retomada do interesse pelo rock, especialmente por vertentes como o emo e o pop-punk, ganhou força no pós-pandemia. Em um cenário marcado por ansiedade, insegurança e debates sobre saúde mental, a estética melancólica e o discurso emocional do My Chemical Romance voltaram a dialogar com adolescentes e jovens adultos. Não por acaso, músicas da banda passaram a embalar vídeos e conteúdos que tratam de sentimentos de exclusão, angústia e pertencimento, temas centrais na obra do grupo desde sua origem, logo após os atentados de 11 de setembro, nos Estados Unidos.
A redescoberta do estilo também foi impulsionada por artistas mais novos que beberam diretamente dessa fonte e ajudaram a reapresentar o gênero ao público atual. Esse movimento levou muitos ouvintes a buscar referências anteriores e a se conectar com o que é considerado o “cânone” da cultura emo, do qual o My Chemical Romance é peça fundamental. O reconhecimento atravessa gêneros e gerações e já foi manifestado publicamente por músicos de diferentes cenas, do indie ao pop, além de nomes fora do universo do rock.
Mesmo rejeitando rótulos, o My Chemical Romance é frequentemente apontado como um dos pilares do emo, estilo caracterizado por letras confessionais, dramaticidade e forte apelo emocional. Canções que falam de conflitos internos, adolescência e sensação de não pertencimento ajudaram a criar uma base de fãs extremamente fiel. Ao mesmo tempo, a banda sempre associou esse discurso a mensagens explícitas sobre cuidado com a saúde mental e rejeição à violência, frequentemente reforçadas pelo vocalista Gerard Way em shows e entrevistas.
Outro elemento que contribuiu para essa conexão duradoura foi a postura estética e comportamental do grupo. Longe do arquétipo tradicional do rockstar, o My Chemical Romance adotou visual e performance que desafiaram normas de gênero e masculinidade, criando identificação com fãs que se sentiam à margem. Esse aspecto segue visível no público que comparece aos shows, onde maquiagem, roupas escuras e referências visuais da banda fazem parte da experiência coletiva.
Quase vinte anos após o lançamento de “The Black Parade”, o retorno do My Chemical Romance ao Brasil evidencia que o fenômeno emo não ficou restrito a uma época específica. A presença de diferentes gerações no Allianz Parque reforça que a relação entre a banda e seu público continua viva, atravessando décadas e se renovando em novos contextos sociais e culturais.
My Chemical Romance no Brasil
Datas: 5 e 6 de fevereiro
Horário: 21h
Local: Allianz Parque
Endereço: Av. Francisco Matarazzo, 1705 – Água Branca, São Paulo – SP
Ingressos: valores variam conforme setor e disponibilidade




