Planalto aposta em jornada 5×2 como trunfo eleitoral para atrair informais; relatoria deve ficar com parlamentar de centro para quebrar resistência da direita
O Palácio do Planalto e a cúpula da Câmara dos Deputados entraram em sintonia para acelerar uma das pautas mais populares e polêmicas do ano: o fim da jornada de trabalho 6×1. Em jantar realizado nesta quarta-feira (4), o presidente Lula (PT) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), alinharam uma reunião decisiva para a próxima semana para definir o rito de tramitação da medida. O objetivo de Motta é aprovar a proposta ainda no primeiro semestre de 2026, blindando o texto antes que o clima das eleições municipais trave as pautas legislativas.
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Lula sinalizou que a “proposta ideal” do governo foca no modelo 5×2 (cinco dias de trabalho para dois de descanso), suavizando o projeto original que sugeria a jornada de quatro dias. A medida prevê ainda o corte da jornada semanal para 40 horas, com redução gradual até 36 horas. Para garantir a viabilidade política, Hugo Motta já indicou que a relatoria ficará nas mãos de um deputado de centro, uma manobra estratégica para neutralizar a oposição do setor produtivo e de parlamentares ligados à direita, que temem o aumento nos custos de contratação.

A ofensiva sobre a escala 6×1 é vista por analistas e blogs de política como a “bala de prata” de Lula para 2026. A meta é reconectar o petismo com a classe trabalhadora periférica e os informais, setores que, nas últimas eleições em São Paulo, flertaram abertamente com discursos da direita. Ao lado de Gleisi Hoffmann e Guilherme Boulos, o presidente estruturou um núcleo no Planalto focado exclusivamente no diálogo com entregadores e motoristas de aplicativo, tentando transformar a redução da jornada em uma marca indelével de sua gestão.
O rastro do dinheiro nas negociações políticas aponta que o apoio de Hugo Motta não é gratuito. O presidente da Câmara busca consolidar sua liderança sobre o “centrão” e sabe que uma pauta de forte apelo popular pode ser o combustível necessário para sua própria influência no Congresso. No entanto, o setor empresarial já prepara um lobby pesado, alegando que a mudança pode gerar inflação nos serviços e demissões em massa. A investigação sobre as conexões institucionais revela que a base governista está disposta a ceder em pontos da redução gradual de horas para garantir que o “descanso extra” chegue ao trabalhador antes das urnas.
O embate agora se desloca para a escolha do relator. O nome escolhido precisará equilibrar a pressão das frentes sindicais, que exigem rapidez, com as confederações de indústria e comércio, que pedem compensações tributárias para aceitar a nova jornada. Com a tramitação prevista para começar na última semana deste mês, o governo joga todas as suas fichas na percepção de que, sem uma entrega concreta na área trabalhista, o avanço da direita sobre o eleitorado de baixa renda será irreversível.




