Ex-agente infiltrado do Ministério Público criou provas ilegais e relatou supostas irregularidades da Lava Jato

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O empresário e ex-deputado Tony Garcia oficializou filiação ao Democracia Cristã (DC) e deve disputar o governo do Paraná nas eleições de outubro, em um movimento articulado para confrontar diretamente o senador Sergio Moro (PL-PR), que lidera as pesquisas de intenção de voto no estado.
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A candidatura de Garcia integra a estratégia da sigla de montar um palanque regional para Aldo Rebelo (DC), pré-candidato à Presidência da República. Nos bastidores, dirigentes do partido trabalham na formação de uma frente anti-Moro, diante da vantagem do ex-juiz nas sondagens, algumas indicando possibilidade de vitória ainda no primeiro turno.
Além de Garcia e Moro, o cenário eleitoral no Paraná inclui nomes como Requião Filho (PDT), Guto Silva (PSD), apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD), Rafael Greca (MDB) e Luiz França (Missão).
Denúncias, bastidores e disputa de narrativas
Figura controversa, Tony Garcia ganhou notoriedade ao afirmar ter atuado como “agente infiltrado” durante a Operação Lava Jato, com atuação junto ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal. Em entrevistas recentes, ele declarou ter colaborado diretamente com Moro por mais de dois anos, alegando participação em ações de inteligência e produção de provas.
“Eu fui agente infiltrado do Ministério Público, trabalhei por dois anos e meio com apoio da Polícia Federal”, afirmou Garcia. Ele também disse ter criado provas ilegais e relatou supostas irregularidades envolvendo magistrados e integrantes da força-tarefa da Lava Jato.
As declarações foram encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal após análise do então juiz Eduardo Appio, enquanto a juíza Gabriella Hardt teria desconsiderado parte dos relatos em audiência, segundo o empresário.
Citado nas denúncias, o ex-governador Beto Richa (PSDB-PR) afirmou ter sido alvo de um “conluio de versões” dentro da Lava Jato. Já Moro nega as acusações e sustenta que não há provas que confirmem a atuação de Garcia como infiltrado ou irregularidades nos processos conduzidos.
O embate político no Paraná tende a incorporar essas acusações ao debate eleitoral, ampliando a disputa para além das propostas de governo e envolvendo questionamentos sobre a atuação de personagens centrais da Lava Jato e seus desdobramentos no cenário político atual.




