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segunda-feira, abril 13, 2026
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Queda da Selic não alivia dívida e Brasil seguirá pagando mais de R$ 1 trilhão em juros ao ano

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Mesmo com cortes nos juros, custo da dívida pública deve pressionar contas até 2027

O Tesouro Nacional afirma que não há risco de insolvência e aposta na estabilização da dívida com as regras do novo arcabouço fiscal. Foto Lula Marques/Agencia Brasil

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A redução recente da taxa básica de juros, a Selic, não deve aliviar de forma imediata o peso da dívida pública brasileira, que continuará consumindo mais de R$ 1 trilhão por ano em pagamento de juros. O cenário, segundo projeções de mercado compiladas pelo Banco Central do Brasil, deve se manter ao menos até 2027, refletindo o alto custo de financiamento e o volume elevado do endividamento.

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As estimativas indicam que a despesa com juros deve atingir 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e subir para 8% em 2026, sem retorno ao patamar histórico de cerca de 6% ao longo da próxima década. Mesmo com o início do ciclo de cortes, o impacto financeiro segue elevado, indicando que a política monetária tem efeito limitado no curto prazo sobre o custo total da dívida.

Efeito retardado da Selic

O principal fator para a manutenção dos juros elevados é a própria composição da dívida. Parte relevante dos títulos ainda será refinanciada com taxas mais altas, o que retarda o efeito da queda da Selic. Atualmente, cerca de 54% do estoque está indexado à taxa básica, enquanto o restante depende da percepção de risco fiscal e da confiança dos investidores.

O economista Ítalo Franca explica que o custo médio da dívida segue pressionado: “Mesmo considerando nossa projeção de Selic em 11,5% no próximo ano, a redução do custo médio deve ocorrer de forma gradual”. Segundo ele, títulos antigos com juros menores estão sendo substituídos por novas emissões com taxas mais altas, o que prolonga o impacto.

Tamanho da dívida limita alívio

Outro fator decisivo é o volume total da dívida pública, que já supera R$ 10 trilhões, equivalente a cerca de 78,7% do PIB. Para Ian Lima, esse montante reduz o efeito positivo da queda dos juros. “A despeito de a taxa média cair, o volume total não vai dar muito alívio”, afirmou.

Na mesma linha, o estrategista Luis Felipe Vital destaca o impacto do cenário fiscal: “Fazendo um déficit primário com custo alto e com crescimento econômico mediano, é difícil reverter essa trajetória”.

Governo descarta calote, mas admite pressão

O Tesouro Nacional afirma que não há risco de insolvência e aposta na estabilização da dívida com as regras do novo arcabouço fiscal. Projeções oficiais indicam que a dívida pode atingir 88,6% do PIB até 2032, com estabilização a partir de 2029.

Apesar disso, especialistas apontam riscos indiretos. O economista Tiago Sbardelotto alerta: “O risco reside, na verdade, em um ajuste pela via inflacionária”, indicando possibilidade de perda de poder de compra como forma indireta de equilíbrio fiscal.

Impacto sobre o crescimento

Além do custo direto, o avanço da dívida pode afetar o crescimento econômico. O ex-secretário do Tesouro Jeferson Bittencourt afirma que o aumento do endividamento reduz o crédito disponível ao setor privado. “É o Estado competindo com o setor privado pelos recursos da poupança”, explicou.

Segundo ele, a necessidade de captação do governo — estimada em R$ 1,7 trilhão neste ano — pressiona o mercado financeiro e encarece o crédito. “Me preocupo menos com a solvência e mais com os danos ao crescimento econômico de uma dívida desse tamanho”, concluiu.

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