Durante o depoimento, Alexandre chorou quatro vezes
Em interrogatório nessa quinta-feira, Alexandre Nardoni disse que “perdeu o chão” ao entrar no apartamento e ver que a tela de proteção estava rasgada. Alexandre e Anna Carolina Jatobá estão sendo julgados desde o ultimo dia 22, segunda-feira.
Nardoni começou a ser ouvido às 10h50 dessa quinta-feira. O promotor Francisco Cembranelli questionou Alexandre sobre o porquê ele não entrou em contato com a mãe de Isabela nos dias após a morte. Ele atribuiu o fato ao tumulto ocorrido entre a morte a decretação de sua prisão. “Tinha perdido tudo o que eu tinha de mais precioso. Perdi o chão. Não sabia o que fazer”, afirmou.
Após a queda da menina, Alexandre disse que desceu imediatamente pelo elevador e mandou Anna Jatobá avisar os familiares.
No início do interrogatório, Alexandre negou a responsabilidade pela morte de Isabela e chorou quatro vezes. O promotor Francisco Cembranelli disse que o choro não tinha lágrimas. O juiz Maurício Fossen disse que o comentário não deveria ser considerado pelos jurados.
Perícia
Testes realizados após a morte de Isabela Nardoni apontam que o pai, Alexandre Nardoni, jogou a menina pela janela do apartamento no sexto andar do Edifício London onde morava. A afirmação foi feita pela perita Rosangela Monteiro, ouvida ontem (24/03) no julgamento de Alexandre e Anna Carolina Jatobá, madrasta da criança.
De acordo com a perita, foram enviadas para análise as roupas de Alexandre Nardoni, Anna Jatobá e Isabela. Nas roupas do pai da menina estava marcada a tela de proteção da janela, de onde Isabela caiu.
Para a realização dos testes foi utilizado um modelo com o mesmo peso e altura de Nardoni. Nos dois primeiros testes, o modelo colocou apenas a cabeça e, depois, parte do corpo para fora. As marcas eram incompatíveis com as encontradas na camisa de Alexandre.
No terceiro experimento, o modelo colocou os braços para fora, mas as marcas ainda não foram semelhantes.
No último teste, o modelo segurou um peso de 25 km – mesmo peso de Isabela – e as marcas ficaram idênticas às apresentadas na camisa de Nardoni.
A análise da parede mostrou também, que primeiro foi solto o braço esquerdo da menina e, em seguida, seu corpo foi abandonado.
No início do depoimento, a perita afirmou que Isabela foi ferida no apartamento. Segundo ela, as marcas de sangue encontradas no imóvel apontam que a menina era carregada quando entrou no local e estava a uma altura de 1,25 m. A perita diz que Isabela tinha 1,20m e, se estivesse andando, as marcas de sangue não seriam as mesmas, pois teriam escorrido pelo corpo.




