Árvore é conhecida como “faxineiro do ar” pela alta absorção de CO2
A Câmara Municipal de Campinas inicia em agosto de 2010 um programa de distribuição de mudas de jatobá, árvore que tem enorme capacidade de aspirar dióxido de carbono (CO2), gás responsável pelo aumento do efeito estufa. Essa propriedade tornou o jatobá conhecido como o “faxineiro do ar”.
As mudas a serem distribuídas têm como origem três exemplares existentes na área onde foi construída a Câmara, na Avenida da Saudade, na Ponte Preta. As árvores têm cerca de 50 anos e entre 15 e 20 metros de altura.
As sementes foram retiradas no final do ano passado e introduzidas no viveiro da própria Câmara por membros do Instituto Jequitibá, que fizeram o plantio e acompanharam o desenvolvimento das mudas. Agora que elas completaram seis meses e chegaram a cerca de 30 centímetros de altura, começarão a ser distribuídas à população.
O presidente da Câmara, Aurélio Cláudio (PDT), conta que a escolha do Jatobá não foi aleatória. “O estudo do Instituto de Botânica de São Paulo mostrou que quando cultivadas por três meses num local com 720 ppm (partes por milhão) de CO2 no ar – o dobro da atual concentração atmosférica – as mudas de jatobá duplicam a absorção de gás carbônico e a produção de açúcares (carboidratos)”, informou o presidente da Câmara. “Além disso, o jatobá se desenvolve mais que outras espécies em um ambiente com altas taxas de dióxido de carbono”, concluiu.
Segundo Aurélio Cláudio, a distribuição das mudas vai começar em agosto, porque entre junho e julho pretende inaugurar na Câmara o Viveiro Hermógenes de Freitas Leitão Filho – um dos mais importantes botânicos do País e que trabalhou na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Da mesma forma como o jequitibá é o símbolo da Prefeitura, queremos transformar o jatobá no símbolo do Legislativo”, finalizou o presidente da Câmara.
Distribuição
Na primeira etapa do programa, serão distribuídas 500 mudas, segundo o presidente do Instituto Jequitibá, José Luis Vieira Muller. “As pessoas serão cadastradas e orientadas a realizar o plantio da maneira adequada. Elas devem ficar atentas para algumas particularidades da planta. Como se trata de árvore de grande porte, não poderá ser plantada em calçadas, sob fiação da rede elétrica ou que venham prejudicar as redes de água e esgoto”, explica Muller.
A expectativa de Luis Muller é que o programa seja ampliado a partir do segundo semestre deste ano. “Estamos nos preparando para que no ano que vem, possamos distribuir de duas mil a três mil mudas de jatobá”, informou.
O jatobá
Da árvore do jatobá se aproveita quase tudo. Seu tronco fornece madeira dura, pesada, muito durável quando fora do chão, utilizada para construção pesada, esteios, vigas, assoalhos, carrocerias, móveis, tonéis. Sua resina, folhas e sementes são usadas na medicina caseira. Um chá de jatobá é usado, por exemplo, em ocorrências de diarréia, tosse, bronquite, problemas de estômago e vários outras indicações.
A casca fornece corante amarelo; os frutos são consumidos “in natura”, mas também na forma de geléia, licor e farinhas para bolos pães e mingaus. Existem dezenas de receitas para confecção de bolachas, pães, bolos e mingaus com a farinha de jatobá.




