O empresário Ricardo Cândia obedeceu à determinação judicial e compareceu na tarde desta terça-feira (14/02) para depoimento à CPI da Corrupção, mas por orientação de seu advogado, ele decidiu não responder a nenhuma das 40 perguntas que lhe foram endereçadas.
O empresário – acusado de tráfico de influência na Prefeitura e de ter se beneficiado em esquema de fraudes em contratos – se valeu de um dispositivo constitucional de não produzir provas contra si e permaneceu em silêncio. Cândia chegou ao plenário pouco antes das duas da tarde, horário de início da audiência, acompanhado de dois advogados.
A sessão – que durou cerca de 40 minutos – foi aberta com uma pergunta do relator do processo, vereador Campos Filho (DEM), que Cândia não respondeu. Mas teve de se justificar.
“Por entendimento do meu advogado, eu vou me abster em responder as indagações de vossas excelências, deixando para me manifestar sempre que convocado pelos promotores que investigam essas circunstâncias, ou em juízo, se vier a ser processado. Nessas ocasiões, farei questão de esclarecer detalhadamente todos os fatos que conheço. É o que eu tenho a declarar”, disse ele.
Nas perguntas seguintes, manteve uma resposta padrão. “Com todo respeito às Vossas Excelências, mantenho minha posição em não responder”, repetiu.
O presidente da CPI, vereador Artur Orsi formulou 30 perguntas. Na primeira, perguntou se ele tinha medo de que as respostas pudessem comprometê-lo. “Com todo respeito às Vossas Excelências, mantenho minha posição em não responder”. Por cerca de meia hora, Orsi perguntou e ele repetia a resposta padrão.
O vereador tocou em todos os principais assuntos da CPI. Perguntou, por exemplo, o que ele achava do fato de o Ministério Público o considerar um dos operadores do maior esquema de corrupção já montado na administração pública em Campinas. Cândia não se manifestou.
O empresário manteve a mesma postura quando Orsi lembrou o depoimento do ex-presidente da Sanasa, Luiz Castrillon de Aquino ao MP. Segundo Aquino, Cândia arrecadava o dinheiro da chamada “ordenha” feita junto a empresários e recebia propina em contratos da empresa de saneamento.
O empresário silenciou também ao ser perguntado sobre a origem do esquema de corrupção implantado na Prefeitura. Não falou denúncias de cobranças de propinas junto a empresários que prestavam serviço à Prefeitura, nem da proximidade com a ex-primeira-dama, Rosely Nassim dos Santos – que segundo o MP liderava o esquema. Cândia também se recusou a falar sobre a influência que exercia na liberação de empreendimentos imobiliários e na implantação do sistema de telefonia celular na cidade.
Orsi lamentou a decisão de Cândia. “Esse depoimento era a oportunidade que a testemunha tinha para se explicar à cidade e à comissão, mas infelizmente el preferiu não responder”, disse o vereador.
Para o advogado Ralph Tórtima Filho, que representa Cândia, a decisão de não falar “foi uma opção jurídica, técnica”, explicou. “Mas isso não significa que ele não prestará esclarecimentos. Ele prestará os esclarecimentos necessários, mas apenas em outra esfera”, disse.
A CPI volta a se reunir na próxima quinta-feira, às 9h30, quando os vereadores vão ouvir o ex-secretário de Assuntos Jurídicos da Prefeitura, Carlos Henrique Pinto. No dia seguinte, a partir das 14 horas será ouvido o sócio de Cândia, Washington Deneno.




