Um morador de Sousas informou a subprefeitura do distrito que uma perua Kombi, no qual ele não identificou a placa, deixou cerca de cinco moradores de rua no domingo, 28 de outubro.
Os moradores de rua se espalharam e um grupo ficou próximo à subprefeitura, à beiro do Rio Atibaia, numa localização onde existem diversos carrapatos.
Segundo A coordenadora do programa de Proteção aos Moradores de Rua de Campinas, Cátia Gonçalves, “Dignidade e cidadania é essencial para toda a pessoa humana, não pode proibir as pessoas de adentrarem ao Município, que possui um alto índice de migração e itinerância, por ser uma metrópole e com entroncamento viário que congrega rodovias de acesso para diversas cidades/estados. Esta mobilidade pode ser gerada por questões socioeconômicas e/ou culturais, sendo que as metrópoles exercem forte poder de atração em decorrência de sua infraestrutura (educação, saúde, moradia, transporte), da busca por melhor qualidade de vida, emprego ou formas de geração de renda”.
Cátia alerta ainda que as pessoas devem ajudar encaminhando os moradores para assistência especializada. “As pessoas devem ser orientadas antes de oferecer esmolas ou alimentação nas ruas, encaminhar as pessoas a uma rede de atendimento do Município e assim realmente favorecer o processo de saída das ruas”.
Um levantamento da prefeitura apontou que o número de moradores de rua na cidade aumentou 48,7% em dois meses este ano. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Assistência Social, em março deste ano, eram 659 moradores de rua cadastrados. No final de maio, a número subiu para 980. No entanto, a população não é permanente e oscila conforme a oportunidade de trabalho e alimentação. Este balanço é o mais atualizado da administração municipal sobre o assunto. “Não há aumento de pessoas em situação de rua, esta é uma população flutuante e rotativa, afirma Cátia.
Os moradores de rua reclamam da falta de apoio e programas de ajuda oferecidos pela prefeitura. Já os comerciantes e moradores ficam incomodados com a presença dos moradores de rua. “Tem alguns moradores de rua que fazem as necessidades em frente ao escritório de arquitetura no centro de Sousas e em frente a Igreja Sant’Anna”, conta uma moradora do distrito que prefere não se identificar.
Cátia explica que maioria dos andarilhos são da região Nordeste do país e que são dependentes de drogas e álcool. A prefeitura diz ainda que o desemprego e desavenças familiares são motivos para viver nas ruas. “A prefeitura possui serviços de abordagem e de orientação e encaminhamento dos andarilhos, além de 205 vagas de acolhimento em abrigos”, diz. Um dos motivos do aumento da população de moradores de rua na cidade defendidos ela coordenadora do programa é a falta de políticas de apoio nas cidades de origem, que podem diminuir os casos de migração.
“Todos aqueles usuários abordados que demandam questões de passagem (somente à cidade de origem se o usuário e a família desejar), tratamento de saúde, documentação, cadastro de emprego, são encaminhados e incluídos na rede de políticas públicas do município. Nestas abordagens temos percebido o grande número de pessoas dependentes químicos que ainda não perceberam como esta doença acaba afetando-lhes a estrutura de saúde física e mental, social, familiar, comunitária e de renda, e por isso não aceitam os encaminhamentos propostos. Aquelas pessoas que não aceitam nenhum referenciamento continuam em situação de rua e em acompanhamento pela rede gerenciada pela Coordenadoria”, conclui Cátia.




