Adiada em diversas oportunidades, a reforma do Teatro Municipal José de Castro Mendes chega à sua fase final e a obra já impressiona por detalhes que farão do espaço um local apto a receber grandes apresentações, tanto pela qualidade do projeto desenvolvido quanto pela preocupação com o novo ambiente.
A Administração municipal vai reinaugurar o teatro, totalmente remodelado, no próximo dia 30 de novembro. A reforma teve investimentos de cerca de R$ 10,3 milhões.
Os detalhes da obra estão por toda a parte. A nova fachada, por exemplo, foi toda desenhada pensando não apenas na mudança estética, mas remetendo à história da cidade e utilizando de simbologia para representar a cultura. As ranhuras existentes logo na parede da janela de entrada foram projetadas a partir da malha ferroviária e viária da região, tendo a linha férrea como condutor principal e as principais vias do Centro e da Vila Industrial – bairro onde está localizado o teatro – representadas no desenho.
“Antigamente, a linha férrea dividia a cidade em duas: a parte central, rica e branca, e a parte operária, depois da linha férrea, com os negros e imigrantes, que inclusive tinham seu próprio cemitério que ficava justamente na área onde está atualmente o teatro”, explica Cláudio Orlandi, engenheiro responsável pela obra. “Ali foi construído um cinema, o Casablanca que foi, depois, na década de 1970, transformado em teatro, o Castro Mendes. Esse espaço cultural pode ser considerado como a conexão entre esses dois ‘mundos’ diferentes naquela época, e resgatar isso é respeitar a história do lugar e da região onde ele está inserido”, ressalta ele.
Detalhes
A única janela existente na fachada do novo prédio também tem significado. O arquiteto responsável pelo projeto, Otto Felix, pensou nessa janela como uma conexão entre o mundo lúdico (o próprio teatro) com a realidade, já que a janela servirá de luz natural para o “foyer”.
Cubos amarelos na parede ao lado da entrada principal serão o ponto de partida para a criação de iguais modelos em outras regiões da cidade, fazendo uma espécie de “conexão cultural” entre pontos diferentes de Campinas, todos remetendo ao novo teatro, onde a cultura campineira teve boa parte de sua história vivida.
Dentro, não apenas a grandeza do espaço impressiona, mas também a preocupação com os mínimos detalhes. Inicialmente, a plateia contará com 770 lugares, e entre eles, poltronas adaptadas para deficientes e para obesos, conforme determina a legislação.
A iluminação da plateia – assim como a externa – será com lâmpadas de cátodo frio, um componente de maior iluminação e menor gasto energético, além de ser ecologicamente correto na sua fabricação e posterior descarte. As lâmpadas também têm uma vida útil maior, de cerca de 10 mil horas, ou, uma estimativa de 10 anos. A iluminação da plateia será toda embutida com detalhes em madeira, combinando com a decoração do espaço interno.
A iluminação cênica também tem sua particularidade. Um dos refletores centrais tem sua composição e luminosidade pela primeira vez utilizados em teatros brasileiros, tendo apenas quatro outros teatros no mundo com igual qualidade de refletor. Os equipamentos de som e a mesa de som digital também são de última geração e estão entre as novidades do novo teatro.
Toda a acústica interior foi projetada e executada sob a consultoria de José Augusto Nepomuceno, responsável por projetos acústicos em diversos espaços culturais brasileiros, como por exemplo, dos teatros municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Ar condicionado e camarins
O ar condicionado central tem tecnologia “inteligente”, pois controla o gasto energético enquanto climatiza o ambiente. O equipamento é tido como sustentável, já que não emite gases prejudiciais à camada de ozônio.
O Castro Mendes terá oito camarins individuais, um deles com acessibilidade 100%, inclusive para o palco, através de uma plataforma mecânica, além de outros dois maiores (coletivos) para serem utilizados por grupos. Todos os camarins contarão com espelhos iluminados com luzes embutidas e frias, gerando melhor rendimento sem risco de acidentes.
“Campinas realmente necessita, há tempos, de um espaço público cultural digno da grandeza da cidade e pronto para receber qualquer apresentação artística. A infraestrutura que o novo Castro Mendes terá será com esse intuito, o de ser referência na área cultural na cidade e na região”, diz a secretária Renata Sunega.




