Unicamp vai criar a primeira universidade indígena do Brasil

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unicamp-universidade-indigena-rondoniaA Universidade Estadual de Campinas, assinou neste quinta-feira, um convênio de cooperação para construir a primeira Universidade Indígena do Brasil. A unidade será construída em uma área de 248 mil hectares do povo Paiter Suruí , no município de Cacoal, em Rondônia.

O objetivo da futura universidade é capacitar o povo para uma melhor gestão de seu território. A primeira atividade oferecida pela Unicamp, à partir da formalização da cooperação, serão duas oficinas de multilinguismo e de multiculturalismo.

A intenção do povo Paiter Suruí de implantar uma universidade indígena já vem de longa data. Em 2013, o cacique esteve na Universidade Indígena da Venezuela para conhecer a estrutura de lá. Reconhecido pela Organização das Nações Unidas como uma das 100 personalidades mais criativas do mundo, o cacique Almir afirma que a assinatura da cooperação será muito importante para o seu povo, pois possibilitará o acesso ao Ensino Superior de qualidade e vai prepará-los para ter a capacidade de fazer a gestão de seu território. “Pretendemos levar vários cursos superiores para lá, para que eles estejam capacitados tecnicamente para fazer gestão política e técnica dos projetos que podem trazer benefício coletivo do povo Paiter Surui”, disse.
Entre os cursos que deverão ser levados para o povo Paiter Suruí estão biologia, administração, matemática, artes, políticas sociais e línguas. “São algumas áreas que podem subsidiar um projeto de sustentabilidade não só de floresta, mas da cultura, da política.” A ideia é que seja uma universidade aberta e não apenas para os indígenas. Entre os institutos da Unicamp envolvidos inicialmente no convênio estão o Instituto de Estudos da Linguagem, o Instituto de Computação, o Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência e o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas.
A universidade é considerada a primeira nos moldes propostos. Em 2015 foi implantada uma Faculdade Indígena, na aldeia de Porto Lindo, no Mato Grosso do Sul.
O reitor Tadeu Jorge ressaltou que o convênio ajuda a universidade a cumprir um dos seus objetivos mais fundamentais, que é contribuir para a preservação da cultura e sua disseminação.

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