Destaque nos principais meios de comunicação, tem alimentado preocupações nos mais distintos segmentos da população mundial com relação ao seu potencial de transmissão entre as pessoas. Devemos lembrar que o vírus se transmite de uma ave para outra da mesma espécie. Não existem, até agora, casos de humanos transmitindo entre si. A contaminação acontece pela convivência direta com as aves. Esta situação é comum nos países Europeus onde o inverno costuma ser muito rigoroso e também em países asiáticos e africanos, onde as questões de higiene e saúde pública encontram-se defasadas em relação ao resto do mundo. Recentemente o noticiário deu destaque para uma descoberta na Alemanha de que um gato – sim isto mesmo um \”gatinho\” – estaria infectado por este vírus, mas a notícia morreu no seu absurdo.
A chegada da gripe na Europa levou a uma redução do consumo da carne de frango e peru, em particular na França e Itália, de 20%. Esta situação não afeta apenas os produtores das aves. Como as aves alimentam-se de rações compostas de soja, farelo e milho, observa-se no mercado internacional queda na comercialização destas commodities, afetando, ainda, um espectro maior de nossa pauta exportadora.
Muito se tem alarmado o consumidor com relação ao consumo da carne, porém devemos entender que o vírus não resiste a fase de congelamento, etapa indispensável nos casos de processamento para o consumo nas cidades. Este processo inclui 97% da carne produzida no Brasil e que chega ao mercado. Nos restantes 3% que compõe as chamadas criações domesticas, o vírus morre no preparo do alimento no fogo. Portanto com absoluta certeza podemos dizer que a transmissão pelo consumo da carne é impossível, a menos que se coma a carne crua, mas este não é um hábito alimentar em todo o mundo, ao contrário do peixe.
Infelizmente é o velho chavão: criar dificuldades para obter facilidades. Lendo-se muitas das notícias, somos levados a crer que com a chegada do inverno teremos uma explosão de gripe na América do Sul. Outros preferem falar que com o início da Copa do Mundo, muita gente vai viajar para a Europa, e em conseqüência disto a gripe vai se espalhar mundo afora, podendo atingir cerca de 40 milhões de pessoas. Embora as estatísticas não sejam muito precisas, o que temos hoje, é que cerca de 18.000 pessoas tiveram contato com este vírus e que os falecimentos por esse motivo giram em torno de 150, o que prova até aqui a eficácia dos medicamentos existentes.
O alerta e a prevenção são sempre necessários e oportunos, mas o alarmismo junto a população não é uma atitude eticamente recomendável. Por isto é que nos vemos no direito de perguntar a quem interessa o contexto em que o assunto vem se desenvolvendo, na medida que não informa corretamente a população, estimula a insegurança, causa prejuízos aos produtores, não promove a profilaxia, coloca governos em situações embaraçosas, não impede a propagação do vírus, excita a imaginação em direção a uma pandemia generalizada, ou seja, nos guia a cada dia para uma zona de insegurança, carecendo de bases e conceitos objetivos. Um eterno desenrolar do \”achismo\”, técnica praticada por aqui com desenvoltura e agora com uma versão em nível internacional.
Carlos Eduardo Stempniewski é mestre em administração pela FGV/SP, especialista em e-learning e avaliação de performance financeira na área de saúde e coordenador dos cursos de Administração, Sistemas de Informação e Turismo das Faculdades Rio Branco.




