A ONG SOS Praias Brasil fez barulho em São Paulo antes mesmo da lei antifumo entrar em vigor no dia 7 de agosto. O personagem Homem Bituca foi convidado pelo Conjunto Nacional na Avenida Paulista, conceituado condomínio que abriga lojas e espaços culturais, para agregar a ação de conscientização ambiental já realizada pelo conjunto, que expõe uma grande escultura feita com bitucas de cigarro.
Ao todo, 15 mil bitucas formam a escultura. Este número assustador é o equivalente ao que um fumante consome em dois anos, se fumar um maço por dia. A ação tem como objetivo conscientizar as 45 mil pessoas que transitam pelo conjunto diariamente. Em seu habitat natural, a SOS Praias realiza, há 11 anos, uma campanha sobre o mal causado por filtros de cigarro deixadas nas praias. Além da sujeira e mau cheiro, causam a morte de milhares de animais marinhos, que comem o lixo por engano.
O Homem Bituca distribuiu cinzeiros ecológicos portáteis, alertando para que os fumantes não joguem as bitucas no chão de vias públicas. A preocupação é que com a nova lei que proíbe o fumo em ambientes fechados, aumente ainda mais a quantidade de cigarros jogados nas ruas, que chega a 50 metros cúbicos por dia na capital paulista. Este lixo acaba nos rios da cidade, tornando-se um grande problema ambiental e de saúde pública.
“Percebemos uma tensão ao abordar os fumantes nas calçadas, pois muitos ainda são desfavoráveis a lei antifumo imposta pelo governo do estado”, afirma Heloísa de Azevedo, presidente da SOS Praias. “Muitos não aceitavam os cinzeiros portáteis. Diziam que iriam continuar jogando suas bitucas no chão, enquanto outros reclamavam da falta de cinzeiros nas calçadas”, revela.
A ideia de trazer o Homem Bituca ao Conjunto Nacional é de abordar o tema polêmico com uma pitada de bom humor. O personagem Pinguim Eco também esteve presente para lembrar os efeitos do aquecimento global. “O pinguim imperador é uma espécie ameaçada de extinção justamente por esse fator, por isso ele nos acompanha. São vários trabalhos agregados, vários segmentos ambientais a abordar. Quanto mais informação passarmos melhor”, conta Heloísa, que também aproveitou a ação para passar o abaixo-assinado promovido pela ONG para a construção de estações de tratamento de esgotos nos municípios litorâneos brasileiros.
A nova lei antifumo está tendo repercussão nacional. Tanto que a assembleia legislativa do Rio de Janeiro acaba de aprovar na última terça-feira, 11, por unanimidade, uma lei que proíbe o fumo em locais públicos no estado. Agora depende somente da aprovação do governador Sérgio Cabral (PMDB).
A lei, acima de tudo, garante o direito básico de todo cidadão a respirar ar puro. E se está incomodando os dependentes do tabaco, está causando um imenso alívio nas pessoas que não fumam. “Finalmente posso sair pra dançar sem me sentir sufocada, nem chegar em casa com o cabelo e roupas fedendo a cigarro”, revela a estudante Ana Cláudia Paixão. “Sem contar as várias vezes em que fui queimada acidentalmente pelo cigarro dos outros”, completa.
Fundada em 1999, a ONG foi idealizada pelo casal Marcelo Marinello e Heloisa de Azevedo. A equipe roda o litoral do Brasil a bordo de um motorhome, uma espécie de casa sobre rodas, com a missão de promover educação ambiental, propor alternativas de uso sustentável dos recursos naturais e realizar campanhas e ações de conscientização coletiva. O campeonato nacional de surf profissional, o SuperSurf, conta com a gestão ambiental da entidade em seus eventos.
Empresas que possuem o compromisso com a responsabilidade social e ambiental apóiam o projeto. Entre elas estão Oakley, Gretta Silk, UOT (Union Ocean Team), Nokynoy, Fama Assessoria e Esfera Soluções.
Os interessados em apoiar ou saber mais sobre esta causa, podem acessar www.sospraiasbrasil.org.br.




