SINOPSE
(…) “A morte passou.. Espetou-me esta flor na boca e disse: Fica com ela, meu caro, voltarei dentro de oito ou dez meses!”.
O HOMEM DA FLOR NA BOCA fala de um homem que ao se encontrar numa situação limite passa a dar mais atenção às pequenas coisas da vida. A personagem abandona sua casa e família para se dedicar à observação da sociedade. Perambula pela cidade e analisa de maneira obsessiva as situações aparentemente fúteis do cotidiano, e cada constatação o torna uma pessoa mais áspera e solitária, incapaz de conviver com pessoas que não enxergam as mesmas sutilezas que ele vê.
Numa de suas andanças conhece um freguês de um café, que havia perdido o último trem e repleto de compras, aguarda o dia clarear, com a missão de levar à família os muitos “embrulhos, pacotes, pacotinhos”. Desse diálogo, emerge a personalidade do estranho homem, observador minucioso e implacável que coloca em xeque os valores do freguês.
O autor habilmente constrói a tensão entre as duas personagens até a revelação do sentido das atitudes daquelas figuras anônimas.
O universo ficcional de Luigi Pirandello, estruturado em diálogos bem construídos denúncia às contradições da sociedade moderna, sobretudo das convenções sociais que artificializam vidas, comportamentos, ambientes e até mesmo cidades inteiras, tal como é revelada pela personagem ao descrever a forma como os lojistas da cidade grande embrulham graciosamente os presentes, ou a maneira como são organizadas as salas de espera de médicos.
PROPOSTA DE DIREÇÃO
O diretor Alexandre Acquiste optou pela economia de adereços e cenografia. O espaço cênico é delimitado em um retângulo. O público fica ao redor desse desenho, bem próximo dos atores, exigindo destes um trabalho gestual conciso. A luz é crua, marcada por uma luminária simples situada na altura dos atores. Os figurinos, também criados pelo diretor, ressaltam o aspecto anônimo e comum das personagens. Para Acquiste, essa economia de recursos obriga o ator a um permanente exercício de precisão e foco. Um jogo no qual o que não se mostra é sugerido, o que não se vê é imaginado. O espectador é colaborador ativo do que aparece e desaparece no palco. Ele observa a vida no palco, mas com o olhar do teatro, tal como propõe o diretor inglês Peter Brook: “Mas se aceitamos que no teatro a vida é mais visível, mais legível que no exterior, verificamos que é ao mesmo tempo a mesma coisa e uma coisa um tanto diferente”.
Sábado: 12 de setembro às 21hs
Domingo: 13 de setembro às 19hs
Local: Núcleo Cultural Alquimia
Rua Lusitana, 833 – Centro – Campinas / SP.
Informações e Reservas Tel (19) 3233-0387
Lotação 30 lugares
Duração – 45 min.
Classificação – livre
Ingressos – R$ 20,00 inteira / R$ 10,00 meia




