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Acusado de fraudar mais de 3 mil processos, Luiz Eduardo Bottura vive em luxo na Itália e aguarda extradição

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MP aponta organização criminosa e prejuízo superior a R$ 100 milhões

A prisão dele na Itália ocorreu no ano passado após autoridades locais identificarem movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo a aquisição de veículo de alto valor. Foto Reprodução

O Ministério Público de São Paulo acusa Luiz Eduardo Bottura de chefiar uma organização criminosa especializada em fraudar indenizações, falsificar documentos, coagir advogados e usar o sistema de Justiça para criar dívidas inexistentes. Foragido do Brasil, ele foi localizado vivendo com padrão elevado de conforto em Selvazzano Dentro, cidade vizinha a Pádua, no norte da Itália, onde aguarda decisão sobre pedido de extradição.

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Segundo a investigação, Bottura teria participado de mais de 3 mil ações judiciais. Em ao menos 327 processos, houve condenação por litigância de má-fé, conforme apontado por autoridades responsáveis pelo caso. Delegados o classificam como o maior “litigante serial” do país, devido ao volume e à repetição de ações consideradas fraudulentas.

Esquema sob investigação

De acordo com o Ministério Público, o grupo utilizaria documentos falsos para ingressar com ações judiciais que resultariam em bloqueios e transferências de valores. Uma das vítimas é a viúva Maria Matuzenetz, que afirma ter sido apresentada a Bottura como advogado após a morte do marido. Ela relata ter transferido cerca de R$ 7 milhões para uma conta no exterior, após orientação do investigado.

Documentos anexados ao inquérito indicam que os valores teriam sido enviados para uma empresa aberta no Uruguai em nome da própria vítima e posteriormente transferidos para outra conta ligada à mulher de Bottura, sem o conhecimento dela. Maria também afirma que sua assinatura foi falsificada em um documento de renúncia de herança em troca de R$ 10 mil. Perícias apresentadas pela defesa estão sob apuração por suspeita de irregularidades.

Segundo uma associação formada por pessoas que alegam ter sido prejudicadas, os prejuízos atribuídos ao investigado ultrapassam R$ 100 milhões.

Vida na Itália e processo de extradição

Durante monitoramento realizado por equipe de reportagem, Bottura foi visto mantendo rotina regular em academia e restaurantes, circulando em veículos de luxo e residindo em condomínio com estrutura de alto padrão, incluindo campo de golfe.

A prisão dele na Itália ocorreu no ano passado após autoridades locais identificarem movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo a aquisição de veículo de alto valor. A detenção ocorreu após pedido formal com apoio da Interpol. Posteriormente, ele foi liberado, teve o passaporte apreendido e passou a responder ao processo de extradição.

O julgamento sobre o envio ao Brasil será realizado pelo Tribunal de Apelação de Veneza na próxima quinta-feira (12).

As autoridades brasileiras também apuram a informação de que a defesa teria apresentado às autoridades italianas dado incorreto sobre a situação de Henrique Pizzolato, extraditado ao Brasil em 2015. Foi informado que ele teria morrido na prisão, o que não corresponde à realidade. O episódio levantou suspeitas de tentativa de influenciar o processo de extradição.

Defesa

Confrontado, Bottura negou todas as acusações. Afirmou que não lidera organização criminosa, que não falsifica documentos e que a maioria dos processos contra ele foi vencida na Justiça. Disse ainda que é alvo de vazamento ilegal de informações na Itália.

Enquanto aguarda decisão da Justiça italiana, Bottura segue respondendo a denúncias no Brasil. Para vítimas como Maria, que afirma hoje sobreviver da venda de mel em feiras, a expectativa é de responsabilização judicial e eventual reparação dos prejuízos.

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