Por determinação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a Defesa Civil Nacional foi acionada para enviar, o mais rápido possível, apoio logístico ao Parque Nacional da Chapada Diamantina, na Bahia, que pega fogo há mais de um mês. O ministro tomou a iniciativa depois que recebeu relatos da direção do parque sobre as dificuldades que os gestores enfrentam para combater o incêndio, que já destruiu metade da mata nativa do local. Nesta quarta-feira (19), 40 brigadistas do Ibama do Rio de Janeiro passam a reforçar as equipes que lutam para debelar as chamas.
Segundo informações dos analistas que trabalham no PNCD, mais de 300 pessoas trabalham na tentativa de combater o que já consideram a maior tragédia da história do Parque. Mais de 50% da área da unidade virou cinzas. O problema é agravado por conta das condições climáticas. Não chove há mais de seis meses na região. A seca e os ventos fortes colaboram para espalhar as chamas com muita rapidez, além de fazer com que incêndios debelados sejam reiniciados.
Para o diretor de Unidades de Conservação de Proteção Integral (Direp/ICMBio), Ricardo Soavinsky, a situação é realmente lamentável. Porém, é importante destacar que desastres como o do PNCD acontecem também em países desenvolvidos. “O problema pelo qual o Parna da Chapada Diamantina vem passando não pode ser atribuído à falta de recursos. Se assim fosse, tragédias desse tipo não ocorreriam em países como os Estados Unidos. Nesse momento, o fogo também destrói boa parte da Califórnia, que sofre anualmente com esse tipo de intempérie”, observa.
Soavinsky enfatiza que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade destinou em 2008 pelo menos R$ 450 mil para a unidade, sendo R$ 228 mil para a prevenção e combate a incêndios (contratação, capacitação e uniformes da brigada) e R$ 220 mil para manutenção da unidade. “Além dessa verba, foram liberados R$ 305 mil para a locação de aviões e compra de produtos químicos usados para conter as chamas”, relata.
Os gestores do PNCD, servidores do ICMBio e as equipes do Prevfogo trabalham dia e noite em estratégias para debelar os incêndios. De acordo com Cézar Gonçalves, analista ambiental da unidade, quatro grandes focos ainda estão fora de controle. “Em Mucugê, as chamas já percorreram mais de 40 Km. Era um fogo debelado, que foi reativado devido as condições climáticas. Na área central norte do Parque, outra grande queimada contorna o Vale do Pati, considerado um dos mais bonitos e visitados do planeta”, lamenta.
O analista acrescenta que nos municípios de Ibicoara, que fica ao sul da unidade, e Lençóis, localizado ao norte do Parna, o fogo ainda queima o que restou da vegetação nativa. “Aguardamos os reforços que estão a caminho. Necessitamos de equipamentos de rádio para a comunicação entre as esquipes de combate, barracas, alimentação e transporte terrestre para as brigadas. Infelizmente, existem áreas nas quais o fogo irá se extinguir por não haver mais o que queimar”, acrescenta.




