O turismo ao redor do mundo apresenta facetas peculiares, que mostram a evolução dos destinos e a quebra de paradigmas por parte dos turistas, e até mesmo dos moradores locais, no decorrer dos anos. Um dos exemplos mais claros é a Índia, com cinco mil anos de história, marcados por muitos contrastes. É possível encontrar camelos e desertos no Rajastão, neve nas regiões próximas ao Himalaia, como, por exemplo, a Caxemira, e belíssimas praias no sul, bem como parques com animais e muita natureza.
No início da última década, a Índia já era um destino que despertava grande curiosidade entre os países asiáticos. Porém, devido à grande oferta de hotéis, os preços dos serviços eram muito acessíveis, comparados aos que são praticados atualmente. Nessa época, poucos brasileiros conheciam a Índia e a idéia de viajar para um outro continente distante, com tantas horas de vôo, era somente para os mais arrojados. Além disso, os turistas, fáceis de serem identificados, chamavam muita atenção, como se fossem celebridades. Inclusive, os indianos queriam nos cumprimentar, tirar fotos e até mesmo conversar.
Aliás, existe um paradoxo muito grande na Índia em relação ao turismo. Apesar de a maior parte da população ainda viver na miséria, há hotéis luxuosos, antigos, palácios de marajás, monumentos suntuosos, como o Taj Mahal, que vivem ao lado do caos urbano, do trânsito infernal das cidades, onde pedestres, carros, triciclos movidos a motor ou pedal e as vacas disputam lugar nas ruas. Por outro lado, a bondade das pessoas é o maior tesouro do lugar, o que nos faz pensar e até a voltar diferentes do que fomos. Muitos deles, mesmo em situação de miséria, sempre dão um sorriso e demonstram bondade e aceitação.
Diante desse quadro, percebemos um aumento gradativo no turismo para a Índia, se levarmos em consideração que é um destino sazonal, ou seja, 90% dos turistas viajam no período de setembro a março, quando a temperatura é mais agradável. No mês de maio, o mais quente do ano, bem como junho, julho e agosto somente vão aquelas pessoas que não dispõem de outra época para viajar.
E devido ao número crescente de visitantes, hoje a oferta de hotéis é bem maior do que há alguns anos. Recentemente, pudemos observar shopping centers, que até então não existiam, com lojas de grifes mundialmente famosas, já que todas elas vêem o potencial indiano no mercado de consumo. Afinal, são mais de um bilhão de habitantes. Além disso, o país tem crescido 7% ao ano na sua economia, com um consumo em ascensão, devido à globalização e contato maior com o mundo exterior.
Outras razões para a evolução do turismo indiano são as feiras de negócios, promovidas durante o ano inteiro nas principais cidades. Ainda temos os movimentos de Yoga, meditação e filosofias indianas que fazem parte de uma cultura milenar e que ganham cada vez mais espaço, com foco na qualidade de vida. Há ainda conferências e cursos de Yoga, hospitais, tratamentos e massagens especializados em Ayurveda e naturopatia. Podemos notar ainda muitos movimentos do budismo, uma vez que o Dalai Lama mora na Índia e que em Sarnath, próximo à Varanasi, Buda fez seu primeiro sermão.
Além disso, o país vem ganhando força na formação de profissionais especializados em tecnologia, que inclusive, já estão presentes no mundo inteiro. Com isso, a Índia firma-se como um dos destinos mais significativos para o turismo, ao mesmo tempo em que não perde o charme e o mistério de uma cultura milenar e tão cheia de mistérios.
Lucila Nedelciu é diretora da Raidho Turismo, operadora especializada em viagens exóticas e culturais.




