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sexta-feira, fevereiro 27, 2026
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Em entrevista, Kassab fala sobre investimentos da prefeitura de São Paulo em leitura

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O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab recebeu, no ano passado, o prêmio Amigo do Livro, da CBL, Câmara Brasileira do Livro, pela criação dos programas Minha Biblioteca e Ler e Escrever, em parceria com a CBL. O programa Ler e Escrever tem por objetivo melhorar a qualidade da educação, priorizando a aprendizagem da leitura e da escrita e consiste, ainda, na melhoria do material pedagógico utilizado pelos professores da rede. Seguindo o mesmo conceito, o programa Minha Biblioteca, já na segunda edição, distribuiu 560 mil livros aos alunos da rede pública municipal, de sete a dez anos. As crianças levam os livros para casa e podem compartilhar com a família. “Nunca o poder público havia distribuído obras literárias para seus alunos”, afirma Kassab, lembrando também o mérito do secretário da Educação Alexandre Schneider nos projetos, também contemplado com o prêmio da CBL.

Por sua formação, Kassab não é um homem das letras. É engenheiro civil pela Escola Politécnica da USP e economista, formado na FEA/USP. Mas, tocado pelas Memórias Póstumas de Brás Cubas, desenvolveu grande interesse pela leitura, e se mostra indignado com a percentagem de analfabetos no Brasil. Os dados alarmantes também de analfabetos funcionais talvez sejam um impulso a mais para cultivar programas capazes de minimizar o quadro.

Na entrevista a seguir, o prefeito reeleito de São Paulo fala sobre as políticas públicas de estímulo à leitura e à valorização do livro, e dos planos na área de educação para a nova gestão, como intensificar a formação e o uso das salas de leitura nas escolas.

Panorama: No ano passado, provas aplicadas nas escolas municipais apontaram que o desempenho dos alunos com relação à leitura não era dos mais animadores, segundo avaliação da própria Secretaria da Educação. Que medidas foram implantadas pela administração para melhorar este quadro? Como o senhor avalia a situação um ano depois?

Gilberto Kassab: Na verdade, o resultado da prova realizada em São Paulo é mais otimista do que a pergunta sugere. Quando iniciamos a gestão, quatro anos atrás, o então prefeito José Serra constatou a urgência de investir nos conhecimentos de língua portuguesa, principalmente na leitura e compreensão de textos. Com esse objetivo específico, foi criado o programa Ler e Escrever. O aluno que não consegue compreender um texto não consegue aprender outras matérias. Pois bem: investiu-se pesadamente neste programa, inclusive colocando mais um professor na sala de aula para assistir os alunos, e o resultado da última prova já demonstrou avanços. Em 2006, 70% dos alunos de 3º ano do ciclo I estavam alfabetizados. Em setembro de 2008, chegamos a 90%.

Para os alunos do ciclo II, da quarta à oitava série, iniciamos o trabalho com a formação de professores, realizando programas voltados para melhorar o desempenho dos alunos, sobretudo a habilidade como leitores, e acompanhamos mais de perto, com supervisão e reforço, as 150 escolas com índices mais vulneráveis. Os orientadores das salas de leitura estão recebendo formação específica sobre como desenvolver o apreço ao conhecimento e à leitura e como potencializar o rico acervo de cada escola, hoje com uma média de 30 mil livros por unidade. E para envolvimento de toda a rede, não apenas dos orientadores das bibliotecas chamadas salas de leitura, produzimos material específico com sugestões para estimular a leitura e redação em todas as séries.

Estamos trabalhando com indicadores individuais de avaliação e acompanhamento para que toda equipe de supervisão possa acompanhar o trabalho nas escolas e fornecer dados que nos ajudem a criar boas intervenções para qualificar a aprendizagem dos alunos. Os resultados de todas essas medidas serão vistos na próxima Prova São Paulo, que será realizada nos dias 10 e 11 de dezembro, mas avaliações internas mostram que os alunos estão chegando ao Ciclo II mais bem preparados por conta das ações do Programa Ler e Escrever.

Panorama: O senhor recebeu o prêmio Amigo do Livro em função de programas como Minha Biblioteca e Ler e Escrever. O que levou a Prefeitura a criar esses programas?

Gilberto Kassab: Um dado alarmante foi o Indicador de Analfabetismo Funcional, que mostrava índice de 75% de pessoas sem habilidade leitora.

Panorama: Qual a abrangência deles e os resultados que se espera?

Gilberto Kassab: O Programa Ler e Escrever começou em 2005 no 1.º e no 4.º anos do Ciclo I. Já foi expandido para o 2.º e o 3.º anos. O Minha Biblioteca está em sua segunda edição. Em 2008, o programa envolveu números grandiosos: 63 editoras, 202 títulos e mais de R$ 10 milhões investidos, chegando a 521 mil alunos. Nunca o poder público havia distribuído obras literárias para seus alunos, possibilitando que eles se apropriassem do livro e compartilhassem com suas famílias histórias dos mais diferentes autores. Em 2007, foram entregues mais de meio milhão de livros a alunos de Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino. Neste ano, com a extensão do programa também para o Ciclo II, foram mais de um milhão de exemplares.

Panorama: Segundo foi noticiado, algumas bibliotecas foram fechadas no seu primeiro governo. As causas que levaram a isso foram, em sua opinião, modificadas ou superadas?

Gilberto Kassab: Nenhuma biblioteca foi fechada no ano passado, apesar do que saiu na imprensa a respeito. Ao contrário, duas bibliotecas, uma na Vila Mariana e outra na Lapa, foram transformadas em Espaços de Leitura, instalações que, além de biblioteca, oferecem um Centro de Memória do bairro, o que era uma demanda da própria comunidade. Além disso, com as bibliotecas dos novos CEUs, o número de bibliotecas públicas na cidade, na verdade, aumentou. Esta gestão também inaugurou oito pontos de leitura, três deles em bairros carentes como Cidade Tiradentes. Sem contar que, antes, só havia um ônibus-biblioteca em péssimo estado, e agora temos quatro, mais modernos, cobrindo 28 pontos de paradas semanais.

Outra ação de valorização das bibliotecas foi a implantação do projeto Bibliotecas Temáticas. Atualmente, sete bibliotecas públicas contam com núcleos especializados em determinados temas, com acervos sobre, por exemplo, contos de fadas e cinema. Com essa medida, a Prefeitura atraiu um novo público para esses espaços.

Panorama: Que políticas públicas na sua segunda gestão podem ser implantadas para ampliar o acesso do cidadão aos livros?

Gilberto Kassab: Nesta segunda gestão, vamos ampliar o projeto de bibliotecas temáticas, instalando esse serviço em outras unidades já existentes. Vamos também ampliar os pontos de leitura, que são mini-bibliotecas, com cerca de quatro mil livros, para outros pontos da cidade que necessitem de tais equipamentos públicos. Vamos repetir também a experiência da Feira de Troca de Livros, que aconteceu em 2007 e 2008 em diversos parques da cidade, e demonstrou que há uma grande demanda para este tipo de interação intermediada pela literatura na cidade. A Revista Época São Paulo recentemente elegeu a Biblioteca Sérgio Milliet, do Centro Cultural SP, como a melhor biblioteca de São Paulo. Um reconhecimento assim nos faz ver que estamos indo pelo caminho certo.

Também temos a intenção de intensificar a formação e o uso das salas de leitura nas escolas. Hoje, temos 707 salas e espaços de leitura em Escolas Municipais de Educação Infantil e Escolas Municipais de Ensino Fundamental. Também vamos investir mais nos professores do Ciclo II, para melhorar o desempenho dos alunos.

Panorama: Qual é o papel de eventos como a Bienal do Livro nas políticas municipais de educação e cultura?

Gilberto Kassab: A Bienal do Livro cumpre um papel de fundamental importância na cultura da cidade, ao reunir pessoas interessadas em literatura, alunos de escolas públicas e particulares, estudantes de nível médio e superior, em torno dos livros. Trata-se, na minha opinião, de um momento privilegiado para debater o tema da leitura e conhecer as iniciativas que estão sendo colocadas em prática no segmento. Neste ano, montamos na Bienal dois stands, um da Secretaria de Educação e outro da Secretaria de Cultura, o que permitiu ao visitante conhecer nossos projetos.

Livro de cabeceira – “Sempre li bastante, a ponto de, às vezes, ler dois ou três livros num mesmo mês. Não tenho números exatos, porque essas coisas variam com as atividades mais ou menos intensas que a gente tem ao longo de um ano. Mas depois que assumi o cargo de prefeito de São Paulo, o tempo para livros ficou mais curto, porque passei a ler diariamente muitos relatórios e obras técnicas sobre a administração.

Atualmente, estou lendo “Deu no New York Times”, do jornalista Larry Rohter.

Trata-se, na minha opinião, de um momento privilegiado para debater o tema da leitura e conhecer as iniciativas que estão sendo colocadas em prática no segmento. Neste ano, montamos na Bienal dois stands, um da Secretaria de Educação e outro da Secretaria de Cultura, o que permitiu ao visitante conhecer nossos projetos.

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