De acordo com a Associação Brasileira das Organizações não Governamentais (Abong), existem cerca de 276 mil ONGs no Brasil. Os dados são de 2004, quando foi divulgado o estudo mais recente sobre o tema no País. Espalhadas por todo o território brasileiro, muitas dessas organizações vêm desempenhando importantes ações que poderiam servir de exemplo para outras iniciativas. Entretanto, na maior parte das vezes, esses trabalhos acabam não sendo conhecidos em outros lugares além dos seus limites de atuação.
Partindo dessa idéia, a Imprensa Oficial, editora do governo paulista ganhadora de inúmeros prêmios e ativa participante de feiras nacionais e internacionais, teve a idéia de criar, em 2004, um selo para publicar livros em conjunto com ONGs de todo o País. Foi naquele ano, durante a 18ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ela lançou o Imprensa Social. O selo dá oportunidade para que organizações não-governamentais divulguem suas experiências, metodologia e resultados. Os trabalhos que apresentem vínculos políticos ou partidários são descartados.
Segundo Hubert Alquéres, presidente da editora, o apoio à impressão e divulgação desses trabalhos têm o objetivo de demonstrar que é possível transformar a realidade brasileira com dedicação e criatividade. Ele explica que a intenção é divulgar bons exemplos que possam ser multiplicados. “São livros de interesse público, com os quais a gente não tem lucro”, diz.
O presidente da Imprensa Oficial explica que uma parte da tiragem fica com a própria ONG, que se encarrega da distribuição, e a outra com a editora, que distribui as obras para públicos específicos. De acordo com Hubert, o selo tem a meta de lançar até 30 títulos por ano, mas só não o vem fazendo por não receber projetos suficientes para isso. “A gente tem procurado divulgar mais vezes a iniciativa com o objetivo de receber mais propostas”, diz.
A obra mais recente, lançada durante a Bienal do Livro deste ano, é Psique e Negritude – Os Efeitos Psicossociais do Racismo, realizada em parceria com o Instituto AMMA Psique e Negritude, de São Paulo. Voltado para educadores, psicólogos, trabalhadores da área de saúde e militantes do movimento negro, o livro apresentada todas as etapas dos efeitos psicossociais do racismo.
E além de dar oportunidade para que ONGs divulguem suas experiências, metodologia e resultados, muitos títulos publicados pelo selo já foram, inclusive, premiados. Em 2005, para se ter uma idéia, um dos vencedores do prêmio Jabuti na categoria Educação foi A Violência Silenciosa do Incesto, publicado pelo Imprensa Social em parceria com a Clínica Psicanalítica da Violência. A obra propõe o rompimento do silêncio da violência sexual incestuosa.
Hubert diz que a grande surpresa no projeto da Imprensa Oficial foi comprovar o envolvimento da população na busca de soluções para problemas por vezes carentes de políticas públicas. “Há muita gente deixando de apenas receber passivamente as ordenações e decisões do governo para se tornarem eles próprios agentes da mudança”, explica. (Agência Brasil Que Lê)
Todo mundo lê
O que eu estou lendo
Lars Grael
Velejador
Rota Boreal: Expedição ao Círculo Polar Ártico, de Beto Pandiani e Felipe Whitaker (Terra Virgem), é a dica de leitura do velejador Lars Grael, medalha de bronze nas Olimpíadas Seul e Atlanta. A obra traz o relato da expedição do velejador Beto Pandiani, que partiu de Nova York com destino à Groenlândia. “O que o Betão fez e a maneira como encara a sua filosofia de vida, de vela e aventura, é sempre algo muito interessante de acompanhar. Além do mais, o livro traz belas imagens da saga toda e é muito bonito de se ver”, diz.
Clique aqui para baixar a capa do livro, já autorizada para publicação.
Dica de quem já leu
Rafael Cortez
Jornalista
Em seu blog na internet, o repórter do programa CQC, da Band, indicou a leitura de Maysa: Só Numa Multidão de Amores, de Lira Neto (Globo). A obra percorre minuciosamente todas as etapas e traumas da trajetória da cantora, marcada por amores, viagens, conflitos com a mídia, tentativas de suicídio, crises de alcoolismo e internações em clínicas para desintoxicação. O livro serviu como base para a minissérie Maysa: Quando Fala o Coração, escrita por Manoel Carlos e transmitida pela Globo em janeiro.
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