A Fundação José Pedro de Oliveira envia nesta quarta-feira, dia 11 de março, o plano de manejo da Mata Santa Genebra ao Instituto Chico Mendes, autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente.
O plano é um documento técnico com o objetivo de normatizar e planejar a administração e a preservação dos recursos naturais da maior área verde de Campinas e a segunda reserva urbana do País. A elaboração do plano é o resultado de três anos de trabalho de uma equipe de 53 técnicos entre biólogos, engenheiros agrônomos e outros profissionais.
Segundo a bióloga do Departamento Técnico Científico da Mata que coordenou os trabalhos, Patrícia Lia Santarosa, o plano de manejo é importante, pois organiza e ajuda na orientação do trabalho de conservação da Mata e define seu planejamento.
“Descrevemos as unidades bióticas – fauna e flora – e abióticas – solo, clima, água e outros – além das ações de rotina que já estão em desenvolvimento como podas, manejo das bordas e educação ambiental, e apontamos como devem ser as intervenções, a forma de manejo das ações na unidade e no seu entorno”, explica Patrícia.
A bióloga esclarece que o plano estabelece todo e qualquer procedimento visando a conservação da diversidade biológica e dos ecossistemas da Mata. “Com ele asseguramos a potencialidade dos elementos naturais e a participação da comunidade da região na conservação da Mata de Santa Genebra, além de assegurar que todas essas ações estejam amparadas pela legislação ambiental vigente”, diz ela.
Aprovação
Após ser finalizado pela equipe da Fundação, o plano passou pelas secretarias municipais de Meio Ambiente, Urbanismo e Planejamento da Prefeitura de Campinas. Por ser uma unidade de conservação de uso sustentável, o documento vai direto para o Instituto Chico Mendes para aprovação.
“Embora o plano não tenha que passar por audiência pública, sugerimos ao Instituto que seja feita uma apresentação para a sociedade”, informou a bióloga. Patrícia conta que o trabalho extenso e detalhado é uma exigência do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, órgão criado em 2000, ligado ao Ministério do Meio Ambiente e coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Entre as principais ações previstas no plano, Patrícia destaca o manejo da borda, a ampliação da educação ambiental e a recuperação dos corredores ecológicos que ligam a Mata a outros remanescentes. O uso e trato correto da área limite da unidade são fundamentais para evitar a degradação, já que as árvores e vegetação nas bordas podem ser tomadas por espécies trepadeiras e capim que vão se adensando e reduzindo sua área.
Educação
Atualmente, a educação ambiental conta com cinco programas. “Queremos criar um viveiro educador para capacitar jovens produtores de mudas e guias-mirins, além de garantir o tráfego animal e vegetal entre a Mata e outros remanescentes da cidade, áreas como os bosques dos Jequitibás e dos Alemães e várias outras em Sousas e cidades vizinhas. Este tráfego ocorre através dos cursos de água (rios) e é essencial para a manutenção da biodiversidade”, ressalta Patrícia Santarosa.
Seguindo a Resolução nº 13 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o plano de manejo da Mata Santa Genebra institui como área de amortecimento um raio de dez quilômetros do seu entorno. Esta zona é o espaço próximo de uma unidade de conservação onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas com o propósito de minimizar impactos ambientais.
“Naquela área toda e qualquer ação deve passar pela Mata que vai analisar e sugerir os procedimentos adequados, dentro das diretrizes da legislação ambiental. O propósito é garantir a preservação dos recursos naturais e a sustentabilidade sem impedir obras e investimentos”, explicou Patrícia.
A área de amortecimento foi um dos fatores que motivaram uma ação civil pública do Ministério Público Federal de Campinas, no final de 2008, proibindo licenciamentos ambientais e empreendimentos no entorno da unidade e a elaboração do plano de manejo da Mata a fim oferecer um parâmetro para estas intervenções.




