Na segunda reunião da Comissão Especial de Estudo (CEE) dos Impactos Ambientais e Sócio-econômicos das Obras do Aeroporto Internacional de Viracopos, presidida pelo vereador Zé do Gelo (PV), especialistas se mostram pessimistas quanto aos ganhos para o município com a ampliação do aeroporto.
O representante da Associação Protetora da Diversidade das Espécies (PROESP) Marcelo Videira falou sobre o problema da queima e perda de combustível na decolagem e pouso dos aviões, sem contar a emissão de poluentes atmosféricos quando os aviões estiverem sobrevoando a área antes de pousarem na pista.
Elizabeta Novak que representou a Associação de Moradores do entorno do aeroporto, questinou a necessidade real do tamanho da ampliação do aeroporto. “Sabemos que essa ampliação é uma realidade, mas será que é preciso uma área tão grande que irá prejudicar os moradores e chacareiros daquela região?”, indagou. De acordo com ela, o relatório que aponta que a área não tem moradores é mentira, pois o local tem centenas de famílias, muitos que vivem da agropecuária, que serão diretamente afetados pela ampliação de Viracopos.
A presidente do Condema, Mayla Porto, relacionou inúmeros problemas ambientais que serão causados pela obra. “Vão destruir 49 nascentes, além de um serrado, que é o único remanescente de mata nativa em nossa região.”, afirmou. Ela disse que todos estão preocupados com o lucro imediato que a ampliação proporcionará, mas esquecem que a sociedade pagará um preço alto com o impacto ambiental. “O preço nós vamos pagar a longo prazo, talvez a gente nem esteja aqui para pagar”, falou.
A geógrafa Eneida Ramalho de Paula, mostrou um estudo realizado em aeroportos de outros países e os efeitos à saúde da população, principalmente no que diz respeito à saúde mental em consequência do ruído provocado pelos aviões. Ela apontou que Campinas acumula grande número de componentes tóxicos na atmosfera e a ampliação deve trazer novos impactos ambientais e sociais.
A especialista afirmou que grande parte da população de regiões vizinhas aos aeroportos tem problemas de saúde como fadiga, nervosismo, perda de audição, etc..Com isso haverá uma grande perda da qualidade de vida. “Acredito que o Brasil deve apresentar soluções mais modernas e adequadas e peço não apenas a revisão do estudo EIA- Rima, mas a revisão de todo o projetos”, disse.
O vereador Zé do Gelo (PV) disse que tem conhecimento do problema ambiental causado pela decolagem e pouso constante dos aviões, mas que ainda há várias questões a serem respondidas.
A CEE tem um prazo de 120 dias para apresentar suas conclusões, período que pode ser prorrogado por mais 120 dias. A próxima reunião será no próximo dia 16, às 15 h.




