Mahmoud Ahmadinejad, atual presidente do Irã, assusta o mundo com a reativação do Projeto Nuclear Iraniano e com suas declarações contra a criação do Estado de Israel, contra os judeus (chegou até mesmo a negar o Holocausto ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial) e contra grupos minoritários, como os homossexuais. Ahmadinejad é um líder político que dá continuidade à Revolução Islâmica pela qual passou o país no último quartel do século XX.
Ocorrida em 1979, a Revolução Iraniana consagrou no poder a figura do Aiatolá Ruhollah Khomeini, que instaurou no país uma república populista teocrática islâmica. Até então, o Irã era comandado pelo Xá Mohammad Reza Pahlevi, chefe de uma monarquia teocrática pró-ocidente que tentava introduzir cada vez mais os costumes ocidentais naquele país do Oriente Médio. Em 1977, pressionado pelo governo norte-americano, chefiado pelo então presidente Jimmy Carter, o Xá teve de introduzir práticas democráticas em seu país, concedendo liberdade de imprensa, libertando prisioneiros políticos e reformando o sistema judicial.
Em 1978, temendo o recrudescimento do movimento islâmico de tendência radical, o governo de Reza Pahlevi inicia uma série de propagandas contra o Aiatolá Khomeini que, naquele momento, se encontrava exilado na França. O povo, revoltado com a atitude do governo, saiu às ruas contra o governo e em favor do líder religioso. O exército se juntou aos revoltosos e, sem apoio político ou militar, Reza Pahlevi teve de abandonar o poder e exilar-se. Deixou em seu lugar, como Primeiro Ministro, Shapour Bakhtiar – que tentou promover algumas reformas, mas acabou sendo destituído do poder apenas 36 dias depois de ter tomado posse.
Em 1º de fevereiro de 1979, Aiatolá Khomeini retornou da França e iniciou seu governo marcado por diversas reformas conservadoras. Muitos costumes ocidentais foram banidos do país, como por exemplo o uso da mini-saia e da maquiagem para as mulheres, músicas como o rock, qualquer tipo de jogo e filmes (principalmente aqueles produzidos nos Estados Unidos). Foram reintroduzidos os castigos corporais para aqueles que violassem os preceitos da Sharia (sexo fora do casamento, adultério, consumo de álcool, etc) e foi aplicada a pena de morte para aqueles que anteriormente apoiavam o Xá Reza Pahlevi, bem como para prostitutas, homossexuais, marxistas e pessoas que professavam outras religiões – que, aliás, foram proibidas naquele país.
De acordo com o site da BBC, Ahmadinejad, quando era prefeito de Teerã, mandou fechar lanchonetes de fast-food e obrigou todos os funcionários homens da prefeitura a usar barba e vestir camisas de mangas compridas. Também foi ele o responsável pela proibição da primeira campanha publicitária desde a Revolução Islâmica de 1979, que mostrava a imagem de uma celebridade ocidental: o jogador de futebol britânico David Beckham.
Mas Mahmoud Ahmadinejad também tem um lado populista, aparente no nome do seu site, Mardomyar, ou “o amigo do povo”. Na página eletrônica, há frases como “Não nos permitem progredir facilmente, mas não devemos nos render às suas vontades”. Em relação aos Estados Unidos, ele diz que cabe ao Irã decidir se quer restabelecer as relações diplomáticas com Washington, rompidas em 1979.
Portanto, para quem estranha a postura do atual presidente do Irã, basta recordar a História desse país de tradições milenares e com um passado recente tão conturbado.
Ricardo Barros




