O primeiro ambulatório de saúde do Brasil dedicado exclusivamente a travestis e transexuais, inaugurado pela Secretaria de Estado da Saúde, passa a realizar, já a partir da próxima semana, cirurgias em pacientes que necessitam de remoção de silicone industrial. Os pacientes serão atendidos no Hospital Diadema, em mais uma parceria envolvendo o ambulatório.
O ambulatório completou 50 dias superando a marca dos 400 atendimentos. Já são mais de 100 pacientes recebendo assistência integral, com foco nas demandas mais recorrentes desses grupos, como proctologia e urologia. “A possibilidade de remover o silicone industrial, que gera deformidades físicas graves, é fundamental para o resgate da saúde e da auto-estima dos pacientes”, afirma Maria Filomena Cernichiaro, diretora do ambulatório.
Outra parceria, esta com o Hospital das Clínicas, possibilitou a ampliação em quatro vezes do número de cirurgias de mudança de sexo realizadas no complexo. Com a mudança, o HC ganha capacidade para realizar uma média de uma cirurgia desse tipo por mês. Até agora, eram realizadas 3 cirurgias por ano em média.
“Entre as demandas mais recorrentes dos nossos pacientes, estão aquelas para a colocação ou retirada de silicone e ao atendimento por especialista em proctologia”, disse Maria Clara Gianna, coordenadora do Programa Estadual DST/Aids SP.
O ambulatório é referência para a saúde pública no país. É responsável pela elaboração de protocolos clínicos, por desenvolver e avaliar tecnologias e modelos assistenciais e promover atividades integrando movimentos sociais. Também é um local de treinamento para profissionais de saúde nessa área de atuação. Neste momento, por exemplo, estão sendo definidos protocolos para hormonoterapia.
A orientação sexual e a identidade de gênero são fatores determinantes para a saúde, não apenas por implicarem em práticas sexuais e sociais específicas, mas também porque podem significar o enfrentamento cotidiano de preconceitos e violações de direitos humanos. Usuária do serviço, Alessandra Saraiva afirma que “o ambulatório surgiu para acolher as meninas que não têm espaço em outros serviços. Elas podem vir para cá sem medo de serem discriminadas”.




