Gestora é citada em apurações sobre Banco Master e lavagem de dinheiro ligada ao PCC
O Banco Central decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nova denominação da Reag Investimentos, encerrando de forma imediata todas as operações da instituição com sede em São Paulo. A decisão atinge a empresa enquanto administradora e gestora, mas não extingue os fundos sob sua responsabilidade, que permanecem ativos e deverão ser transferidos para outras instituições autorizadas.
>> Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp
Segundo o Banco Central, a medida foi adotada após a constatação de descumprimento de regras legais e prudenciais exigidas do mercado financeiro, comprometendo a capacidade da empresa de operar de maneira segura e regular. A autoridade monetária avaliou que a continuidade das atividades representava risco ao sistema financeiro e aos investidores, justificando a intervenção extrema.

Embora o BC não detalhe oficialmente quais práticas motivaram a liquidação, o histórico recente da Reag agravou significativamente sua situação regulatória. A gestora é alvo de investigações em ao menos duas grandes operações policiais de alcance nacional, que colocaram em xeque sua governança, seus controles internos e a origem dos recursos administrados.
Na Operação Compliance Zero, a Reag aparece associada ao esquema investigado no Banco Master. As apurações apontam que a empresa teria participado da estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, com indícios de gestão fraudulenta, ocultação de riscos, manipulação de resultados e possível lavagem de dinheiro. Parte desses fundos teria sido usada para desviar recursos do sistema financeiro e inflar patrimônios privados.
Em outra frente, a Reag também foi investigada na Operação Carbono Oculto, que mirou o Primeiro Comando da Capital (PCC) em oito estados. Nesse inquérito, a empresa é acusada de administrar fundos utilizados pela facção criminosa para lavagem de dinheiro, ampliando o grau de exposição da gestora a crimes financeiros de alta complexidade.
A Reag Investimentos atuava como gestora e administradora de mais de 80 fundos, além de prestar serviços de administração patrimonial para pessoas físicas. Com a liquidação, caberá ao mercado redistribuir essas carteiras, sob supervisão do regulador, para evitar prejuízos diretos aos cotistas.
A empresa integra o Grupo Reag, que reúne outras estruturas societárias, como a Reag Capital Holding e a Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (CIABRASF). Segundo o Banco Central, essas empresas não foram atingidas pela medida, por possuírem naturezas jurídicas e operacionais distintas.
A liquidação extrajudicial da Reag representa uma das intervenções mais duras do Banco Central nos últimos anos e expõe fragilidades no controle sobre gestoras de recursos no país. O caso levanta questionamentos sobre a efetividade da supervisão preventiva, a relação entre o sistema financeiro e esquemas de criminalidade organizada, além do papel de fundos de investimento como instrumentos de ocultação de recursos ilícitos. O desdobramento das investigações pode ampliar o alcance das responsabilizações e atingi




