Prazo para BRB dizer ao BC como vai recompor R$ 5 bilhões termina nesta sexta (6)
O Banco de Brasília (BRB) vive nesta sexta-feira (6) seu “dia D” perante o Banco Central. A instituição deve protocolar um plano de ação emergencial para injetar ao menos R$ 5 bilhões em seu balanço patrimonial, tentando estancar a crise de credibilidade que corrói seus ativos. A medida é um reflexo direto da desastrosa operação iniciada no final de 2024, quando o BRB torrou bilhões para adquirir carteiras de crédito do Banco Master — instituição liquidada em novembro por insolvência e gestão fraudulenta.
A apuração revela que o buraco é mais profundo do que as notas oficiais sugerem. O BRB injetou, ao todo, R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025. O Ministério Público investiga indícios de gestão fraudulenta, apontando que R$ 12 bilhões desse montante foram destinados a “carteiras podres”: créditos sem garantia que sequer pertenciam ao Master e que foram vendidos ao BRB por mais que o dobro do preço de mercado.
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Nos bastidores da Câmara Legislativa do DF (CLDF), o clima é de tensão, apesar da ampla maioria do governador Ibaneis Rocha (MDB). O plano de socorro prevê manobras que afetam diretamente o patrimônio do cidadão brasiliense, como a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) composto por imóveis do próprio governo do Distrito Federal. Na prática, Ibaneis sinaliza que está disposto a entregar prédios públicos para salvar o banco de uma aventura financeira temerária. Outras opções incluem empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e aportes diretos do GDF, que detém quase 72% do capital da instituição.

O rastro do dinheiro aponta para uma conexão política perigosa. Ibaneis Rocha foi um dos maiores entusiastas da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB em 2025, operação que acabou barrada pelo Banco Central antes da liquidação da instituição privada. Blogs de política e comentários nas redes sociais fervem com questionamentos sobre quais foram as reais motivações para um banco público socorrer uma instituição privada combalida com cifras bilionárias. Investigadores agora buscam entender os laços entre a cúpula do BRB, o governo distrital e os controladores do extinto Master para identificar se houve dolo na fragilização do banco público.
Embora técnicos afastem o risco imediato de falência devido ao suporte do GDF, a “blindagem” política de Ibaneis será testada se o Banco Central exigir medidas mais drásticas que onerem o caixa do Distrito Federal. A oposição na CLDF já fala em convocar a diretoria do banco para explicar como ativos “fantasmagóricos” foram comprados por valores superfaturados, enquanto o leitor crítico de Brasília se pergunta quem pagará a conta final desse rombo de R$ 5 bilhões.




