Pequim condena ofensiva militar, apoia reunião de emergência da ONU e amplia isolamento diplomático de Washington após captura de Maduro
A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, provocou forte reação da China e aprofundou a crise geopolítica na América Latina e no Caribe. Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira, o governo chinês classificou a operação como uma “grave violação do direito internacional” e um ataque direto à soberania venezuelana, com potencial de desestabilizar toda a região.
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Segundo a chancelaria chinesa, o uso da força por Washington fere normas básicas das relações internacionais, ameaça a paz regional e contraria os princípios da Carta das Nações Unidas. Pequim afirmou ainda que a Venezuela tem o direito de escolher de forma independente seu caminho político e econômico, sem interferência externa, e defendeu esforços internacionais voltados à estabilização do país por meios diplomáticos.

A manifestação ocorre após uma operação militar sem precedentes recentes no continente, comparada por analistas à invasão do Panamá em 1989. A ação incluiu bombardeios aéreos em Caracas e em outras áreas estratégicas do norte venezuelano, além da detenção do chefe de Estado por forças especiais norte-americanas. Maduro foi levado aos Estados Unidos e apresentado ao sistema judiciário federal, abrindo uma crise de legitimidade política em Caracas.
O governo chinês declarou apoio à convocação de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir a ofensiva e afirmou estar disposto a atuar junto à comunidade internacional para defender os princípios da soberania dos Estados e da resolução pacífica de conflitos. A posição reforça o alinhamento da China com países que veem a ação americana como intervenção unilateral e precedente perigoso no sistema internacional.
A operação, anunciada diretamente pelo presidente Donald Trump, foi justificada por Washington como parte de um esforço para combater o narcotráfico e proteger a segurança nacional dos Estados Unidos. Trump afirmou ainda que o país assumiria temporariamente a administração da Venezuela até uma “transição segura de poder”, mencionando interesses estratégicos ligados ao setor petrolífero venezuelano.
Em Caracas, o governo classificou a ação como um ato de agressão militar e violação direta da soberania nacional. Após a captura de Maduro, Delcy Rodríguez foi alçada à presidência interina em meio a pressões externas e incertezas internas. Autoridades aliadas informaram que militares estrangeiros que atuavam junto às forças venezuelanas morreram durante os ataques, ampliando o impacto diplomático da operação.
A reação chinesa se soma a críticas crescentes de governos e entidades internacionais e recoloca no centro do debate global o papel das grandes potências, os limites das intervenções armadas e a fragilidade dos mecanismos multilaterais diante de ações unilaterais de força.
Petróleo e disputa global
A condenação da China está diretamente ligada aos interesses estratégicos envolvidos na Venezuela, país que concentra uma das maiores reservas de petróleo do mundo e mantém parcerias energéticas e financeiras com Pequim. A intervenção americana ameaça contratos, investimentos e influência chinesa na região, além de reforçar a disputa geopolítica entre as duas potências. Ao denunciar a violação do direito internacional, a China também busca conter um precedente que poderia ser usado em outros cenários globais e reafirmar seu discurso de defesa da soberania estatal frente a intervenções lideradas pelos Estados Unidos.




