ogério Correia protocola convocação do senador e quebra de sigilos de sócios após suspeitas de suborno e conexão com operadora de offshore.
A retomada dos trabalhos da CPMI do INSS nesta quinta-feira (5) foi marcada por uma denúncia explosiva que coloca o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no centro de um suposto esquema de suborno e tráfico de influência. O deputado Rogério Correia (PT-MG) protocolou requerimentos pedindo a convocação do parlamentar e a quebra de sigilo de sua administradora de escritório, Letícia Caetano dos Reis. A acusação principal sustenta que o filho do ex-presidente teria oferecido R$ 5 milhões ao advogado Eli Cohen, denunciante de desvios no INSS, para que ele mudasse sua versão e atacasse o governo federal e o presidente Lula durante seus depoimentos.
O caso ganha contornos de investigação premiada com a revelação de documentos registrados em cartório. O ex-policial Rogério Gilio Gomes formalizou, em outubro de 2025, que Cohen teria solicitado o valor milionário para alterar o foco das denúncias. Embora o ex-policial tenha recuado da acusação em dezembro sob alegação de pressão, a base governista afirma possuir novos elementos que comprovariam o envolvimento direto de Flávio, apontando que a oferta teria o objetivo de blindar o núcleo político ligado ao senador.
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A investigação avança sobre uma complexa teia societária que liga o senador ao “Careca do INSS”, apontado como operador de desvios contra aposentados. O elo seria Letícia Caetano dos Reis, administradora da “Flavio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia” e irmã de Alexandre Caetano dos Reis, contador investigado pela Polícia Federal por operar offshores nas Ilhas Virgens Britânicas. O rastro do dinheiro indica que essas empresas foram usadas para blindar patrimônio ilegal e adquirir imóveis enquanto o esquema lesava milhares de pensionistas no Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi).

O nome do advogado Willer Tomaz de Souza, amigo íntimo de Flávio, também aparece no radar da CPMI. Foi ele quem indicou Letícia para o escritório do senador e, segundo relatórios do Coaf, movimentou R$ 45,5 milhões em apenas seis meses. A PF identificou pagamentos de Tomaz a operadores financeiros ligados ao núcleo central da fraude no INSS. Para o leitor crítico de Brasília, o caso evoca fantasmas conhecidos, como o financiamento da mansão de R$ 6 milhões de Flávio, e levanta suspeitas sobre o uso de estruturas de advocacia para mascarar o recebimento de vantagens econômicas.
Se aprovada a convocação, Flávio Bolsonaro terá que explicar à comissão por que seus parceiros de negócios e funcionários estão umbilicalmente ligados aos principais suspeitos de saquear a previdência social. A oposição promete usar os novos dados da PF para pressionar pela quebra de sigilo bancário e fiscal de todo o núcleo ligado ao senador, buscando confirmar se o dinheiro que circulou pelas offshores caribenhas tem origem no suposto suborno denunciado no início da comissão.




