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sexta-feira, fevereiro 6, 2026
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Entrevista Pedro Serafim Junior

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Pedro Serafim (PDT), atual prefeito de Campinas recebeu a reportagem do Jornal Local e falou sobre seus projetos para Sousas e Joaquim Egídio.

Pedro Serafim é médico há 25 anos, especialista em ginecologia e obstetrícia. Nos primeiros anos de carreira trabalhou em Sousas, na clínica do Dr. Odair Schafer. Ele também é formado em Direito e exerceu seu quarto mandato na Câmara (1996, 2000, 2004 e 2008).

No final de 2010, foi eleito Presidente da Câmara Municipal de Campinas. Pedro foi escolhido pelos vereadores, por meio de eleição indireta, ao cargo de prefeito da cidade, após o ex-prefeito Hélio de Oliveira Santos e o vice, Demétrio Vilagra, terem seus mandatos cassados por suspeitas de corrupção.

 

Jornal Local: Quais são os projetos em relação à saúde nos Centros de Saúde nos distritos?

Pedro Serafim: Nós temos vários projetos para Sousas e Joaquim Egídio, mas já temos verbas liberadas para outros Centros de Saúde e prontos-socorros e provavelmente iremos dar prioridade para estes. No planejamento da saúde, a primeira coisa que nós temos que fazer é resolver a superlotação dos hospitais, e a solução é abrir vagas para o Hospital Ouro Verde.

 

J.L: Joaquim Egídio registra 215 anos de história e vem passando por uma degradação dos prédios históricos. Alguns foram destinados à cultura, mas não existe nenhuma programação cultural para a região. Em seu governo existem projetos voltados para a cultura?

P.S: Campinas inteira está sem programação cultural, nós estamos em ano de transição, com déficit orçamentário de mais de 300 milhões e temos que priorizar nossas ações. A cultura da cidade está completamente dilacerada, nós não temos um teatro na cidade. O pouco orçamento que tem na cultura este ano, nós resolvemos investir no término das obras do teatro Castro Mendes. Então administrar é fazer como a dona de casa faz – verifica o que é mais importante e dá prioridade para aquilo. Quando chegar à vez de Sousas e Joaquim eles serão incluídos em nossos orçamentos.

 

J.L: A região de Sousas e Joaquim Egídio tem papel fundamental na APA, e a chegada de novos loteamentos pode afetar a preservação do meio ambiente. Como o senhor vê a questão do desenvolvimento e meio ambiente?

P.S: O Meio Ambiente deve ser preservado para servir o ser humano. Um exemplo disso é a ocupação entorno da Represa Billings, foi proibida a ocupação, e o que aconteceu? Não se fizeram empreendimentos imobiliários, houve uma ocupação desenfreada e desorganizada, com a ocupação feita através de invasões, favelas e causou um dano ambiental ainda maior, muito maior do que se tivesse feito loteamentos de alto padrão com tratamento de esgoto, com tudo. Acho que pode e deve haver uma conciliação entre o desenvolvimento e a preservação do meio ambiente.

 

J.L: Com o crescimento da população local, além do aumento de veículos que transitam nos finais de semana, devido ao turismo gastronômico e esportivo dos distritos, gostaríamos de saber se há projetos voltados para a melhoria de infraestrutura? E quais são as estratégias que você usará no seu governo para tratar essas questões?

P.S: A Avenida Mackenzie vai melhorar muito o trânsito. Outro problema que vem trazendo muito inconformismo entre os motoristas de Joaquim Egídio é a altura daquelas lombadas, danificam os carros, eu já dei ordem para a Emdec fazer de acordo com o padrão. Se existe um padrão, este padrão tem que ser seguido e não fazer as lombadas na altura que eles querem e da maneira como eles querem. É melhor, em minha opinião, colocar radar e lombadas dentro dos padrões. Eu entendo que Sousas precisa se desenvolver e não é se desenvolver para crescer, é desenvolver sua vocação como distrito bucólico, além do turismo gastronômico. Para que isso aconteça, sem dúvida nenhuma, passa por uma nova ordenação da área da cidade, em função da construção de outra ponte, é impossível Sousas ter uma só ponte. Acho que seria fundamental também que a Rodovia Dom Pedro que liga Joaquim Egídio, receba algum tipo de pavimentação alternativa. É um absurdo permanecer com estrada de terra, cheia de buracos. Se der uma enchente, os distritos ficam ilhados, só que a questão de pavimentação esbarra numa liminar do Dr. Albejante. Existe uma verba do governo do estado para fazer esta pavimentação, mas o Albejante entrou com uma liminar e impediu essa pavimentação. Tenho um bom relacionamento com o Dr. Albejante e já estamos tratando do tema, ainda não tivemos sucesso, mas estamos tratando da questão da pavimentação da estrada vicinal que liga a Dom Pedro I ao distrito de Joaquim Egídio. É necessário fazer uma interversão? É, temos que fazer com muito cuidado para não descaracterizar os distritos. Eu gostaria se tiver oportunidade, de ficar mais tempo a frente da Prefeitura e até fazer uma Lei fomentando, a preservação dos prédios e casas dos distritos. As casas poderiam ser reformadas no seu exterior, mas deveriam manter as fachadas. Com isso, poderíamos agregar valores aos imóveis e os proprietários teriam mais benefícios no IPTU. Nós temos planos para manter a característica própria dos dois distritos, e mantê-los como atração turística. Outra coisa que eu gostaria de implantar é a ciclovia na rodovia. Hoje é importantíssima a realização de uma ciclovia, que chegue até a estrada de terra, saindo da Fazenda Santa Helena, voltando pela rodovia. Assim teríamos um circuito misto de terra e asfalto. Também estou providenciando junto à CPFL, a iluminação da estrada entre Sousas e Joaquim Egídio. Iluminar a estrada é de extrema importância, assim como manter a presença de policiais com bafômetros nos finais de semana para evitar altas velocidades e grandes acidentes com vítimas, como já está ocorrendo.

 

J.L: O que você espera dos subprefeitos? E o grande problema é a falta de equipamentos e máquinas. Quais são as providências que o senhor vem tomando para mudar este cenário?

P.S: Os dois subprefeitos são pessoas da região, não são estranhos, não foram simplesmente colocados lá, então espero primeiramente, que eles tenham um bom relacionamento com a população. Eles foram escolhidos por serem filhos de Sousas e Joaquim Egídio. Há necessidades? Sim e muitas! Mas você não pode deixar de acrescentar que apesar das necessidades, Sousas e Joaquim Egídio são regiões privilegiadas da cidade, quando comparadas a outros lugares, que tem muitos menos recursos. Nós pretendemos agora, com a liberação da Avenida Mackenzie (foi uma negociação difícil, diria que tão difícil quanto um parto a fórceps), melhorar sensivelmente o trânsito dentro de Sousas, principalmente para a região do San Conrado, que não vai mais precisar entrar no distrito. Então, a estrada vai facilitar a vida do subprefeito. As máquinas da cidade estão sendo usadas em multirões pelas administrações regionais. Não adianta dar uma máquina para cada administração, se os subprefeitos precisam também de caminhões e equipamentos. Nós estamos fazendo a manutenção da cidade, através de operações, ou seja; se tem uma operação numa região da cidade, nós levamos todas as máquinas para esta região, onde o trabalho está sendo executado. Depois vamos para outra região e levamos todos os equipamentos. Desta forma, as máquinas não ficam ociosas e nós teremos um índice de eficiência superior. É uma forma nova de se administrar.

 

J.L: Quais são as estratégias do ‘Choque de Gestão’? Além de favorecer o crescimento econômico de Campinas e melhorar a qualidade dos serviços públicos, quais são as propostas do Programa de Transparência de Gestão e Governança (PTGG)?

P.S: O principal objetivo do choque de gestão é o Plano de Transparência, Gestão e Governança. É dar à administração pública, a eficiência que ela precisa para continuar gerindo a cidade de Campinas com os recursos que ela tem disponível. Hoje, o que acontece é que os recursos são maus recebidos, às vezes não recebidos e gastos erradamente. Então temos problemas com a obtenção da receita, e com o gasto ineficiente desse dinheiro que é mal arrecadado. Isso gera uma ineficiência e um déficit financeiro, por isso a prefeitura não tem capacidade nem de gerenciamento, e nem de investimento, que é necessário para um município se manter atualizado. O choque de gestão visa, principalmente, adquirir uma eficiência, uma expertise no serviço público.

 

J.L: Hoje na Prefeitura existem muitos cargos comissionados, o senhor apresentou um plano para um novo modelo de funcionalismo público, como irá funcionar? A burocracia atrapalha o trabalho e o desenvolvimento das ações?

P.S: Nós temos que fazer um novo plano de cargos e salários na prefeitura. Precisamos fazer novos concursos públicos, para então podermos diminuir o número de comissionados. Hoje a prefeitura não possui um corpo de funcionários suficiente para tocar o serviço público, por isso há a necessidade de comissionar pessoas para dar conta do trabalho. Se fizermos os devidos concursos públicos ou terceirizássemos algum serviço a mais, não precisaríamos lançar mão dos comissionados. Isso é um plano que nós temos que realizar, e faz parte do Plano Gestão e Governança a médio prazo. A burocracia atrapalha sem dúvida nenhuma. Até nas compras da prefeitura a burocracia emperra. Por que às vezes nós temos oportunidades de compra, mas não podemos fazer por causa das licitações, ou a forma como as licitações estavam sendo feitas propiciava um gasto excessivo do dinheiro público. Contratamos hoje o INDG (Instituto de Desenvolvimento Gerencial), para que ele venha fazer realmente esse choque de gestão junto à prefeitura de Campinas. Estas experiências foram vitoriosas em Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro e agora acontece também em São Paulo.

 

J.L: O senhor confirma sua candidatura para prefeito nas próximas eleições?

P.S: Nós estamos avaliando a questão política, mas ela não é o principal foco do nosso governo. Estamos mais preocupados com as questões administrativas da cidade de Campinas.

 

 

 

 

 

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