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domingo, março 1, 2026
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Especialistas afirmam que investir em pesquisa é mais importante que cortar emissão de carbono

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O aquecimento global é inegável, mas não tão forte ou danoso que justifique aplicar cortes radicais nas emissões de carbono, pois essa política prejudicaria principalmente países e populações mais pobres. Esse foi o foco principal das análises apresentadas hoje, em São Paulo, por duas autoridades mundiais na área de mudanças climáticas: Bjorn Lomborg, cientista político dinamarquês, professor adjunto da Copenhagen Business School e autor do livro “O Ambientalista Cético”; e o climatologista norte-americano Patrick Michaels, membro sênior de estudos ambientais do Cato Institute. Lomborg e Michaels foram palestrantes no Fórum Internacional de Estudos Estratégicos para Desenvolvimento Agropecuário e Respeito ao Clima (FEED 2010), evento realizado em São Paulo em uma iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

“Não digo que o aquecimento global não seja verdade. O problema é que aqueles que defendem a redução das emissões de carbono dizem sempre quantas pessoas vão morrer por conta do calor, mas nunca quantas pessoas vão deixar de morrer por causa do frio. Antes de cortar emissões de carbono, vamos planejar melhor as cidades, utilizar soluções racionais, e não impor políticas com custo imenso e sem compromisso com o futuro”, afirmou Lomborg. Ele argumentou que o preço para implantar o Protocolo de Kyoto seria de US$ 180 bilhões por ano, e isso garantiria uma redução de temperatura de apenas 0,004°C até o ano de 2100. “Isso é ridículo”, disse.

Lomborg não é otimista quando fala na perspectiva de avanços em tratados que propõem a redução das emissões de carbono, como o Protocolo de Kyoto. “Por que conseguiríamos agora, se não conseguimos no passado?”, questiona. Ele argumenta que reduzir emissões de carbono é uma atividade muito dispendiosa e com baixo índice de efetividade. A proposta do professor dinamarquês é apostar em alternativas com maior probabilidade de sucesso, como o reforço nos investimentos em pesquisa. Sugeriu que 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial seja investido no desenvolvimento de tecnologias de geração de energia sem emissão de carbono. “Isso representaria um investimento de US$ 100 bilhões por ano. Seria duas vezes mais barato que Kyoto e garantiria 50 vezes mais do que é investido hoje nesse segmento”, disse.

Para Patrick Michaels, a grande causa das emissões de gás causadores do efeito estufa é a pobreza. “Em situação de pobreza, a população não tem dinheiro para investir em tecnologia mais limpa. Quando um país fica rico, pode produzir energia de forma mais eficiente”, afirmou. “Se os painéis solares fossem mais baratos, as pessoas comprariam”, explicou o climatologista. Segundo Michaels, cada US$ 1 investido no desenvolvimento de painéis solares mais eficientes e mais baratos geraria um retorno de US$ 11 na eliminação de danos ambientais. “Em vez de agir na redução das emissões de carbono, algo caro e politicamente ineficaz, deveríamos investir em energia verde”, enfatizou o norte-americano.

O professor Luiz Pinguelli Rosa, Secretário-Executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ) também foi palestrante no FEED 2010 nesta segunda-feira. Entre outros temas, destacou a vantagem brasileira na geração de energia limpa. “Os biocombustíveis são uma vantagem do Brasil. No caso do etanol, principalmente por ser feito de cana-de-açúcar”, afirmou o professor.

Pinguelli lembrou que são utilizados quatro milhões de hectares de lavouras no cultivo de cana para a produção de etanol, o que não compromete a produção de alimentos e, além disso, é uma alternativa ecologicamente correta de geração de energia. As lavouras de soja, citou, ocupam área bem maior: cerca de 23 milhões de hectares. O professor da UFRJ rebateu críticas de que a criação de gado seria uma das mais fortes agressões ao meio ambiente, devido à geração de metano pelo rebanho. “Por que penalizar a criação de gado, que alimenta a população urbana? O gado é mais importante que o automóvel. Temos, primeiro, que priorizar o transporte público”, criticou Pinguelli.

O professor Marcelo Valadares Galdos, da Universidade de São Paulo (USP) falou sobre o agronegócio e as ações de mitigação do aquecimento global. Defendeu que uma política integrada da agricultura, da pecuária e da silvicultura possibilita a retenção de carbono e, assim, gera benefícios quanto às mudanças climáticas. A proposta, portanto, é aperfeiçoar tecnologias, ganhar em escala e eficiência, pois assim será mantida a oferta de alimentos baratos e, paralelamente, o desenvolvimento de ações em defesa do meio ambiente.

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