Em trabalho inédito no estado de São Paulo – e com raros exemplos no Brasil –, o Observatório Municipal Jean Nicolini (OMJN) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente iniciaram no dia 21 de agosto, o mapeamento e estudo para nova iluminação na região da Área de Proteção Ambiental de Sousas e Joaquim Egídio.
Este trabalho tem como principal objetivo mapear os pontos onde a iluminação não cumpre as determinações para áreas rurais e de proteção ambiental e excede o máximo de luz permitido por lei. Esse excesso prejudica a observação e estudo do céu no Observatório, protegidos inclusive por lei municipal (Lei 10.850/01), que tem um artigo específico sobre iluminação próxima do OMJN num raio de 10 km.
A primeira ação foi realizada quando representantes do Observatório e da Secretaria de Meio Ambiente se reuniram para levantar os locais onde a legislação possa estar sendo descumprida. Foram mapeados 20 pontos com iluminação excessiva na APA de Sousas.
“Um exemplo bem simples para entendermos a importância desse trabalho é o conjunto de corpos celestes conhecido como ‘Cruzeiro do Sul’. Antigamente, víamos claramente um corpo celeste que não fazia parte da ‘cruz que formava o ‘cruzeiro’, mas era visto em uma das hastes. Hoje, da maioria dos pontos de Campinas, não a vemos mais. O céu está cada vez mais escuro e os estudos estão sendo muito prejudicados”, explica o astrônomo coordenador do Observatório, Júlio Lobo.
O próximo passo será visitar esses pontos durante o dia para que os locais exatos de iluminação excessiva sejam marcados num mapa e a documentação de propriedade seja devidamente apurada. Reuniões com os proprietários e notificações serão as etapas seguintes do trabalho.
Ações simples como o redirecionamento dos postes de iluminação de rua, altura e angulação correta desses postes e colocação de uma cinta em locais mais próximos do OMNJ já resolveriam cerca de 80% do problema segundo Júlio Lobo. Segundo o astrônomo, os benefícios não seriam apenas para a observação noturna do céu, mas “é economicamente mais inteligente, pois há muito desperdício de luz atualmente nos postes de iluminação na APA de Sousas e Joaquim Egídio”.
Lobo ainda explica sobre a importância da manutenção da qualidade da observação para a Astronomia da região. “A Região Metropolitana de Campinas (RMC) possui apenas um único fragmento de ‘céu puro’, que permita a visualização correta da nossa galáxia, a Via Láctea, e de estrelas de baixa luminosidade. Se perdermos isso, não há mais possibilidade de estudos completos de astronomia na RMC”.
Uma cartilha educativa sobre a correta instalação de postes externos de iluminação na região deverá ser distribuída nos próximos meses. Além disso, a Prefeitura estuda criar um selo “Amigos do Céu” para os proprietários da região que estiverem de acordo com as determinações legais de iluminação.




