Flávio Bolsonaro aparece em registro bancário de offshore ligada a jato de Daniel Vorcaro

0
68
A reportagem indica que o nome do senador estava associado ao cadastro da conta da Alcazar Holdings. Foto Jefferson Rudy/Agência Senado)

Relatório da Polícia Federal cita e-mail que vinculava o nome do senador a uma conta da Alcazar Holdings, empresa que detinha um terço da aeronave; Flávio e o advogado Willer Tomaz negam relação financeira

<OUÇA A REPORTAGEM>

<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp>

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, aparece identificado como “usuário master” em registros bancários relacionados à Alcazar Holdings, empresa offshore sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que detinha um terço de um jato executivo utilizado pelo parlamentar em janeiro de 2025. A informação foi publicada nesta quarta-feira (14) pela jornalista Malu Gaspar, em O Globo, com base em documentos analisados pela Polícia Federal (PF) no contexto das investigações sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz negam a existência de vínculo financeiro irregular entre eles.

O registro que chamou a atenção dos investigadores é uma troca de e-mails entre uma funcionária ligada ao escritório de Tomaz e o banco Santander. A correspondência, de 22 de maio de 2025, solicita alterações no cadastro de usuários de uma conta vinculada à Alcazar Holdings e pede a desvinculação de contas identificadas com os nomes de Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. O banco respondeu que as contas haviam sido excluídas do contrato, conforme solicitado.

O que significa ser usuário master

Em sistemas bancários empresariais, o perfil denominado master pode permitir o gerenciamento de usuários e o acesso a operações financeiras da conta. A extensão das permissões depende da configuração contratada com o banco.

A reportagem indica que o nome do senador estava associado ao cadastro da conta da Alcazar Holdings. Para determinar o alcance dessa relação, é necessário distinguir o registro administrativo de acesso, a eventual autorização para movimentar recursos e a titularidade econômica do dinheiro.

Em manifestação divulgada após a publicação das informações, a defesa de Flávio sustentou que a própria solicitação de desvinculação demonstra que a associação era indevida. O advogado Willer Tomaz também negou que tenha mantido conta conjunta com o senador.

A ligação com o jato executivo

A Alcazar Holdings detinha 33,33% da participação na Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., empresa proprietária formal de um jato executivo Embraer Legacy 650, de prefixo PP-NLR. Na composição societária descrita pela imprensa, outra participação estava ligada ao empresário Laerte Cosentino, fundador da TOTVS, enquanto a terceira havia sido adquirida pela Prime You, empresa que tinha Daniel Vorcaro entre seus sócios naquele período.

Em janeiro de 2025, Flávio Bolsonaro viajou dos Estados Unidos para Brasília nessa aeronave, acompanhado de familiares e de Willer Tomaz, segundo informações publicadas anteriormente pela revista piauí e pela Agência Brasil. O voo ocorreu entre Fort Lauderdale, na Flórida, e a capital federal.

Questionado anteriormente sobre a viagem, Flávio afirmou que havia viajado de carona a convite de Tomaz. A ligação da aeronave com a Prime You e com Vorcaro tornou-se objeto de questionamentos públicos após a identificação dos cotistas do avião.

A conexão que aparece nos documentos bancários precisa ser examinada separadamente da utilização do avião.

O que dizem Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz

A assessoria do senador negou que ele tenha mantido conta bancária na qual Willer Tomaz ou empresas do advogado figurassem como titulares do perfil principal de acesso. A defesa também contestou a interpretação atribuída aos documentos e afirmou que a desvinculação solicitada ao Santander demonstra que a associação não deveria existir.

Tomaz, por sua vez, negou que o e-mail comprove participação econômica ou societária de Flávio na offshore. Em declaração reproduzida pela imprensa, afirmou: “O e-mail enviado ao Santander não demonstra o contrário. Extrair desse documento uma ‘eventual participação econômica ou societária’ é ilação”.

As manifestações são relevantes para a apuração e devem ser consideradas ao lado dos registros bancários e dos demais elementos reunidos pelos investigadores. Até que os fatos sejam esclarecidos, a existência do cadastro não deve ser apresentada como prova definitiva de crime ou de sociedade oculta.

O que a investigação precisa esclarecer

O caso envolve três questões distintas: a origem e a finalidade do cadastro bancário, a extensão das permissões eventualmente concedidas a Flávio e a relação entre os registros financeiros e a utilização do jato.

A análise dos documentos originais, dos contratos bancários e das autorizações de acesso poderá ajudar a esclarecer se o nome do senador foi incluído por erro administrativo, por autorização formal ou por outro motivo. Também é necessário verificar se houve movimentações financeiras associadas ao cadastro e, em caso positivo, quem autorizou as operações e quem foi beneficiado.

A reportagem de O Globo atribui as informações a documentos examinados pela Polícia Federal. A existência de um registro bancário, contudo, não equivale a uma conclusão judicial. A responsabilização de qualquer envolvido depende da apuração dos fatos, da análise das provas e do respeito ao direito de defesa.

O episódio acrescenta um novo elemento às conexões já noticiadas entre Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz e a aeronave que teve Daniel Vorcaro entre os vínculos empresariais associados à sua propriedade. O esclarecimento da natureza do cadastro e de eventuais movimentações financeiras é fundamental para estabelecer o alcance real dessa relação.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui